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Extraído na íntegra de Departamento do Meio Circulante

Carrano 1957-2008

“MALDITO” E CENSURADO

O BRASIL é UMA POTÊNCIA SOLIDÁRIA

Austregésilo Carrano é escritor, ator, dramaturgo e diretor de teatro. Foi ele quem escreveu e viveu a história contada no livro o “O Canto dos Malditos”, obra que deu origem ao filme o Bicho de Sete Cabeças. O autor curitibano tornou-se um militante da Luta Anti-Manicomial e dedica-se ao estabelecimento e afirmação da rede nacional de trabalhos substitutivos aos hospitais psiquiátricos. Em entrevista Carrano falou dos desafios da luta, da mídia e sobre participação juvenil.

PK – O “Bicho” ganhou uma série de prêmios mas O Canto dos Malditos lhe rendeu algumas polêmicas no mínimo desagradáveis. Em protesto a censura, você até já teve a ousadia de participar de uma tarde de “não” – autógrafos do livro. De vítima passou a réu e foi condenado à retirar o livro de circulação. Essa passagem não foi tão divulgada, apesar da repercussão do filme. Fale sobre isso.

Carrano –O livro foi lançado em março de 1990 pela Universidade Federal do Paraná, no começo de abril foi retirado de todas as livrarias de Curitiba e de lá pra cá rola essa perseguição. Volta e meia, os donos da loucura, que são os psiquiatras que fizeram fortunas encima de confinamento humano e tortura, vêm perseguindo a obra O Canto dos Malditos. O livro teve a comercialização proibida de 2002 a 2004. No texto eu cito nomes de médicos e hospitais por onde eu servi de cobaia durante três anos e meio e cito o nome dessas entidades, é por isso Eu fui retirado das livrarias e fui obrigado judicialmente a mudar o nome dessas instituições e dos médicos que foram meus algozes. A que está circulando é uma nova edição com nomes semelhantes.

PK- Depois de sua trajetória como paciente e vítima de tortura em instituições psiquiátricas você se transformou num militante da luta anti-manicomial. Dê um panorama do movimento. Conte um pouco da história e pontue alguns dos aspectos mais críticos.

Carrano – Movimento da Luta Antimanicomial já é um movimento de mais de 60 anos. Era conhecido como anti-psiquiatria, não é contra a psiquiatria pura, honesta, e sim contra caminhos como o confinamento, a medicação ministrada de modo perverso, o isolamento de pessoas com sofrimento mental em casas especializadas em loucura, tortura e morte. Não concordamos com aplicação de eletro-choque, e nem com a eletro-convulso-terapia. Em algumas instituições esse procedimento é chamado de “eletro-choque humanitário”, porque hoje em dia se consegue através de uma medicação muito forte, um relaxamento do corpo onde a convulsão é amenizada, mas a voltagem continua a mesma. Então me engana que eu gosto. Podem aparecer várias reações, morte na hora ou anos depois da aplicação, queima de neurônios, lesões cerebrais etc. Batalhamos contra a imposição de certos tratamentos e certas drogas, o que também envolve os interesses dos laboratórios em manter toda essa podridão que corre dentro do sistema manicomial brasileiro e envolve grandes fortunas. Atualmente a terceira maior despesa do SUS vai para os hospícios, para confinar e drogar pessoas. A primeira é com problemas cardíacos, a segunda com problemas respiratórios, e a terceira com hospitais psiquiátricos. Hoje é a terceira maior despesa do SUS e se gasta em torno de 600 a 700 milhoes de reais por ano pra esses donos de hospícios fazerem turnê na Europa e terem suas mansões e seus carrões. Essa já é uma pratica que vai passando de família pra família, de pai para filho, virou um negócio, são empresas, um hospital psiquiátrico é uma empresa familiar. Hoje, das cerca de 247 instituições, 90% são particulares. Os dados são do Ministério da Saúde. (mais…)

Posted by Gustavo Amadera on 4 December 2009, 10:47 pm

No último dia 24/11/2009 estava no meu plantão semanal quando recebi logo cedo um pedido de avaliação psiquiátrica do P.S. Central do município.

Paciente N., 46 anos, que segundo a família teria recebido diagnóstico de esquizofrenia há cerca de três meses, ficando internado por um mês, e abandonado tratamento medicamentoso cerca de um mês após a alta.

Ainda segundo o relato na tarde anterior ele havia mantido a esposa e filha de 21 anos sob cárcere privado, com direito a ameaças de morte e agressões físicas.

Com a chegada da polícia, supostamente agredira um policial com arma branca, sendo dominado fisicamente com força não letal ao resistir à prisão, o que lhe causara uma fratura em face (osso zigomático à direita) com suposta conduta conservadora.

Como o paciente estava agitado, o colega da clínica cirúrgica solicitava a transferência para nossa enfermaria psiquiátrica – fato comum, já que o estigma do transtorno mental ainda se mostra presente, mesmo entre a classe médica… (mais…)

O Papel da dor

O papel ou seja a função da dor entre outras, é definida como: angustia, ansiedade (desejo ardente), tormento, aflições, sofrimentos físicos ou psíquicos.

Muitos são os que procuram psiquiatras reclamando de sofrimentos mentais ou sentimentos de angústia que é uma dor invisível que atormenta de forma terrível fazendo com que o doente sofra uma dor tão forte que se compara a uma patologia cruel e torturadora onde os médicos amenizam a dor com remédios, mas sabem que não há cura.

O doente mental sente uma dor que não se pode apalpar, o que o alivia são as terapias em grupos de reflexão com Psicólogos e Psiquiatras e Assistentes Sociais; Sem isto o paciente fica Impossibilitado de desabafar; assim sendo, fica sem um clima de alegria mui desejado; Para quem não conta com este tipo de ajuda, amarga uma dor terrível que deixa prostrado sem ânimo para nada ficando a margem da sociedade que não valoriza ou não faz caso de um paciente com doença mental.

O sentimento de dor não é aceito por ninguém, mas saber cuidar é a solução, não fugindo das recomendações médicas que sabem que a dor da alma é a pior dor possível que deteriora a felicidade de qualquer um e não há cura para medicina.

A dor sentida pelo doente o leva a refletir sobre a própria doença como tendo uma bússola onde o leva a sentir-se satisfeito ao seu norte, trabalhando assim sua mente, como coadjuvantes: pensamentos positivos, audição de músicas preferidas, esportes, informática, artes diversas que faz com que os dias passem mais amenos e com as atividades intensas faz com que a dor seja esquecida mesmo que por um momento de tempo, pequeno mas já ajuda, pois a dor é forte quando todo mundo vai dormir aí que o sofrimento ataca com pensamentos: ninguém te ama, você é um doente solitário, quem vai querer alguém como você , passando a noite em claro, ele sofre mais que de dia pois a noite foi feita para descansar e sem o devido descanso a mente não suporta o novo dia. (mais…)

Área da ciência que estuda os fatores psíquicos do ser humano, cuidando com eficácia das necessidades do paciente psicológico e psiquiátrico, levando em consideração os fatores pelos quais denotam o diagnóstico psíquico, onde mui referencia o tratamento medicamentoso que atua na defesa da dignidade buscada pelo indivíduo.

Muitos buscam meios de tratamento a partir de internações esporádicas e dolorosas para o paciente, mas nos últimos anos as “clínicas dia” têm colaborado para um bom tratamento pessoal e mais eficaz, amenizando assim a vida do paciente, que por haver um tratamento a base de terapias se sente alegre e útil para dar continuidade a vida tão grande e maravilhosa

É necessário que se desenvolva um clima de confiança para que o paciente exponha seus sentimentos, problemas, vivência e aspectos muito pessoais que envolvem áreas delicadas de sua vida.

Existem várias formas de terapia que utilizam técnicas e abordagem diversas sempre confiando á relação de confiança. A forma de terapia assumida, lidará com problemas apresentados pelo paciente. A psicologia e psiquiatria atuam de forma particular, pois a cada caso há um motivo e razão a ser estudada.

* Joanan é usuário do serviço de saúde mental CAPS-III  em SBC