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Fonte: Psicologia na Net

Trabalhando com a Prevenção e Promoção de Saúde

A Saúde Pública é um campo de atuação que o psicólogo necessita ocupar de maneira adequada e condizente com a proposta do SUS e do PSF.

Nesse sentido a formação do Psicólogo para sustentar esse campo, deve enfocar o trabalho com as famílias, a transdisciplinalidade, o trabalho com grupos e o conhecimento da realidade social brasileira

Desde 2006 houve um maior investimento do Ministério de Educação e do Ministério da Saúde nesta questão, bem como um maior interesse em se preparar os futuros psicólogos a trabalhar no SUS

Houve ainda um movimento para que as universidades em seus cursos de graduação valorizassem e investissem nesse tipo de formação modificando as grades curriculares e aparecendo disciplinas baseadas na atuação do Psicólogo na Saúde Pública voltadas para o SUS

Porém, a formação do Psicólogo ainda se encontra numa proposta de clínica tradicional, dentro de uma formação clássica, o que limita sua atuação com poucas ferramentas teóricas, técnicas e críticas para atuar no SUS.

Até pouco tempo atrás, a área de saúde ainda era sinônimo de clínica tradicional, e se caracterizava como uma atividade centrada no indivíduo, cujos objetivos eram, principalmente analíticos, psicoterapêuticos e/ou psicodiagnósticos

Uma outra dificuldade destes profissionais e que é pouco explorada nos cursos de graduação é o trabalho em grupo.

Os trabalhos com grupos, além de se adequarem às altas demandas de atendimentos presentes nas instituições públicas, trazem a possibilidade de intervenção direta na relação e a experiência com o coletivo.

Um dos primeiros empecilhos para o profissional abordar as famílias que o PSF se propõe a acompanhar é o desconhecimento da realidade brasileira das famílias

Percebe-se uma tendência a comparar as famílias atendidas, em geral pertencentes às camadas baixas, a partir da família nuclear – modelo dominante das camadas mais privilegiadas.

Não deve ser desconsiderada as particularidades das familias das diferentes classes sociais, já que cada uma possui organização, regras e valores próprios.

O SUS oferece várias opções para a atuação do profissional de Psicologia. No Estado de São Paulo, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (2006), existem mais de 1000 profissionais trabalhando na rede.

Além da área de saúde mental os profissionais da Psicologia trabalham em programas de doenças sexualmente transmissíveis (DST/AIDS), em Centros de Referência da Saúde do Trabalhador, Unidades Básicas de Saúde, no Programa Saúde da Família, em hospitais públicos e também planejando políticas públicas de saúde

O psicólogo que atua em uma Unidade Básica de Saúde, UBS, integra uma equipe multidisciplinar com pelo menos quinze categorias diferentes de profissionais envolvidos com o mesmo objetivo.

O profissional Psicólogo envolvido no trabalho com saúde pública não trata apenas do psiquismo das pessoas, ele trabalha com seu bem-estar no mundo.

MATUMOTO, Silvia et al. Supervisão de equipes no Programa de Saúde da Famíliareflexões acerca do desafio da produção de cuidados. Interface (Botucatu) [online]. 2005, vol.9, n.16, pp. 9-24. ISSN 1414-3283.  doi: 10.1590/S1414-32832005000100002.

Investiga-se uma experiência de supervisão de equipes de saúde da família no município de Ribeirão Preto, utilizando o referencial da análise institucional e de grupo operativo de Pichon-Rivière como forma de facilitar a auto-análise e auto-gestão, num processo contínuo de construção, desconstrução e reconstrução de saberes e práticas, construção de uma grupalidade na equipe e de um projeto coletivo, com o propósito de deslocar a atenção da equipe, da produção de procedimentos para a produção de cuidado. Enfocam-se as dificuldades do supervisor em romper com as próprias matrizes de produção de procedimentos mais que de cuidados; de lidar com a divisão técnica e social do trabalho em saúde, buscando um trabalho mais democrático, participativo e de respeito às diferenças; de lidar com a questão dos preconceitos e com as pré-concepções dos trabalhadores em relação aos usuários e com a desconstrução da relação poder/saber; de apoiar a equipe na análise das implicações inerentes à própria relação de atendimento, do estabelecimento de vínculo e responsabilização que tem se mantido escondido atrás do trabalho técnico. Os aspectos assinalados como dificultadores podem ser também facilitadores pela potência de abrir-se para múltiplas possibilidades de ação e criação, ao serem analisados pela equipe.

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A  saúde mental permeia, se formos analisar, todos os atendimentos em saúde. Contemporaneamente não mais dividimos a etiologia das doenças em ambiental X biológica. Sabe-se comprovadamente que tudo o que nos acomete possui causas e consequências  multifatoriais. Sendo assim, câncer, ataque cardíaco, e esquizofrenia, assim como todas as outras doenças, possuem etiologia bio-psico-social.

Oras, se é assim, como podemos administrar um tratamento que contemple apenas um aspecto desta causa tríplice? O psíquico, o orgânico e o social não devem ser esquecidos com o risco de o tratamento tornar-se inócuo.

Justamente por isto equipes de saúde mental nas UBSs são tão importantes. Pensando modernamente o conceito de atendimento transdiciplinar podemos nos libertar das antigas amarras disciplinares, hoje em dia podemos trabalhar em equipes onde o conhecimento e as habilidades circulam livremente tendo como objetivo primeiro a qualidade de vida do usuário do serviço.

Usuário este que não mais precisa recorrer às crenças de que a equipe da saúde age por intermédio de Deus para curar-lhe, usuário este que pode sim se apropriar das causas e conseqüências de seu atual estado de saúde e que, como protagonista, pode participar de seu projeto de vida, com planos para o futuro e co-responsabilidade em seu tratamento.

ENSP, dia 12/05/2008

Inspirado nos fóruns sociais mundiais, o II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos, que acontece de 22 a 25 de maio, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Rio de Janeiro, é um desdobramento de uma luta que teve início na época da ditadura militar na Argentina, quando as mães de jovens desaparecidos se uniram para lutar por informações sobre o paradeiro de seus filhos e filhas. “A estratégia é reunir movimentos sociais existentes nas áreas dos direitos humanos e da saúde mental. Mais recentemente, decidimos agregar à área da saúde coletiva, pois a violação dos direitos humanos está presente em todo o campo da saúde pública”, explica o pesquisador Paulo Amarante (Daps/ENSP/Fiocruz), em entrevista ao Informe ENSP, a seguir.

Informe ENSP: Qual é a importância do II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos para a saúde coletiva?

Paulo Amarante:O Fórum nos permite retomar a dimensão política da saúde coletiva, suas articulações e interfaces com as lutas sociais. O SUS avançou, assim como as políticas públicas, mas a participação política e social, no campo da saúde e da formulação das políticas, passa por um processo de burocratização e estagnação. É necessário colocar a saúde coletiva na rua novamente, construindo junto com a sociedade as perguntas e os caminhos; mas não apenas com os mesmos atores sociais específicos do setor saúde, isto é, com as organizações de técnicos, profissionais, usuários de serviços de saúde, e outros que foram incorporados ao sistema participativo da política pública de saúde.

O importante é lidar com a diversidade das forças sociais, com a complexidade da formação social, que nos ajuda a questionar as normas, os padrões e os princípios de um modelo social que nós questionamos por ser excludente, por ser violento e opressor. Enfim, acho que o Fórum vai instigar novas alianças, novas redes de relações políticas e sociais entre os atores do setor saúde com outros atores que procuram inventar uma nova sociedade política.

Informe ENSP: Quais são os principais objetivos desse Fórum?

Paulo Amarante: O I Fórum Internacional nasceu a partir dos Congressos Internacionais de Saúde Mental e Direitos Humanos, organizados pela Universidade Popular Madres da Praça de Maio da Argentina. Esses congressos foram muito importantes para refletirmos sobre as relações entre saúde mental e direitos humanos. No entanto, percebemos que eles estavam assumindo um caráter muito científico, com predominância de técnicos e de profissionais que relatavam ou refletiam sobre suas experiências, e com pouca expressão para os atores sociais que atuam na luta pelos direitos humanos. Foi aí que surgiu a idéia do Fórum, inspirado e articulado com os Fóruns Sociais Mundiais, em que a estratégia é a reunião dos movimentos sociais existentes nestas áreas dos direitos humanos e da saúde mental. E, mais recentemente, decidimos agregar à área da saúde coletiva, pois a violação dos direitos humanos está presente em todo o campo da saúde pública.

O Brasil foi o país eleito para sediar o II Fórum exatamente por ser o país que mais têm exercitado práticas concretas e relevantes de participação, representação e controle social no campo das políticas públicas, e muito particularmente no campo das políticas de saúde. Aqui, no Brasil, temos o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, que já recebeu o título de Doutor Honoris causa coletivo da Universidade Popular das Mães da Praça de Maio. No início do mês de abril deste ano, o Movimento recebeu também a Medalha Chico Mendes de Resistência. Esta medalha é oferecida pelo Grupo Tortura Nunca Mais, um dos mais importantes e amplos movimentos sociais existentes na América Latina. Além disso, existem outros movimentos antimanicomiais muito atuantes no país, entre eles podemos destacar a Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial. Por outro lado, o Brasil foi o único país condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Este episódio ficou conhecido como Caso Damião Ximenes Lopes, cruelmente assassinado em um manicômio no Ceará.

Informe ENSP: O primeiro encontro foi realizado na Argentina, em 2006, e agora será no Brasil. Por ser itinerante, o fórum busca socializar experiências locais na luta antimanicomial em prol de uma política única para os diversos países por onde passa?

Paulo Amarante: É exatamente isso. A idéia é que possamos nos fazer compreender pela sociedade de vários países em nossos princípios de luta contra a violência de uma maneira ampla e, em particular no âmbito da saúde mental, na luta contra os manicômios; não apenas em lutas contra, mas em prol de uma maior solidariedade entre as pessoas e grupos sociais. Nosso entendimento de inclusão não é sinônimo de tolerância. A tolerância é arrogante: tolerar é suportar alguém ou algo parecido. Queremos solidariedade, reciprocidade e, para isto, precisamos mudar a sociedade.

Informe ENSP: Como está sendo feita a organização do II Fórum?

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