Posts com Tag ‘qualidade de vida’

Extraído na íntegra de Portal Musicoterapia Brasileira

O músico Andreas Kisser, guitarrista do grupo Sepultura, em sua coluna no portal da Yahoo!Brasil, comenta sobre a crescente utilização da música como medicina a partir de matérias publicadas na Folha de São Paulo. Confira o texto integral.

Eu tenho lido vários artigos falando sobre a utilização da música como remédio para o tratamento de algumas doenças. Alguns médicos receitam doses controladas de audição musical com hora marcada – como uma pílula ou um xarope. Pesquisas apontam que o processo funciona e tem mostrado que opções mais saudáveis, sem drogas, podem ser usadas na procura da cura de uma doença.

Hospitais que usam o método têm mostrado resultados animadores e surpreendentes, como o caso em que crianças com câncer ouviram por meia hora a “Primavera”, do compositor italiano Vivaldi, e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor, diminuindo assim o uso de sedativos e de remédios.

Na UTI de outro hospital, foram instaladas caixas de som que tocavam música erudita, sons da natureza e temas calmos durante o dia. Depois de um ano, o consumo de sedativos e tranqulizantes caiu 40%, uma porcentagem animadora*.

A música tem mostrado excelentes resultados em doenças típicas da “civilização”, como a ansiedade, depressão, insônia e também hipertenção arterial e arritmia cardíaca. Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, na Áustria, é considerada a primeira farmacologista musical. Ela pesquisou diferentes estilos musicais e encontrou as partes “ativas” que funcionam para o tratamento de doenças. Os pacientes que participam da pesquisa de Brandes recebem um tocador de MP3 com as músicas que devem ser escutadas nos horários certos. É como tomar antibióticos, em que o “timing” é fundamental para o sucesso do tratamento.

A própria Vera Brandes descobriu o poder da música depois de um acidente de carro quase fatal. Ela quebrou duas vértebras próximas da medula espinhal e os médicos disseram que ela teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas. Brandes estava dividindo o quarto com um monge budista que recebia visitas diárias dos colegas, também monges, que ficavam entoando cânticos. Depois de apenas 15 dias, uma ressonância mostrou que a espinha de Vera Brandes estava curada. Os médicos ficaram espantados. Depois da alta, a pesquisadora começou a estudar o poder de cura através da música. A doutora Brandes tem um site para divulgar seus métodos, pesquisas e resultados. (www.sanoson.at) **

É realmente um assunto fantástico para reflexão. Já se ouviu falar bastante do efeito da música em plantas, seres vivos e sensíveis que reagem às vibrações que uma canção emana, mas o efeito como medicamento nos seres humanos é uma coisa que começa a ser levada mais sério.

No estúdio onde costumo ensaiar, vejo regularmente senhores que trabalham em outras profissionais mais “normais”, como advogados, médicos, dentistas, vendedores, etc., e que se juntam para tocar durante três ou quatro horas, uma vez por semana. Isso serve como uma terapia. Eles tocam o que gostam, independentemente do estilo musical, estão se divertindo de uma maneira saudável, aliviando a tensão do dia a dia sem pílulas ou qualquer outro tipo de droga. A música é muito mais poderosa e esclarecedora do que se imagina, é muito mais do que diversão.

Fontes usadas nesta coluna:

*Jornal Folha de S.Paulo – Caderno Equilíbrio
**Jornal Folha de S.Paulo – Caderno The New York Times

Andreas Kisser, casado, três filhos, músico, guitarrista do grupo Sepultura. Espera debater e, principalmente instigar novas idéias e caminhos usando a música como inspiração para a busca de entendimento e tolerância.

Anúncios

Extraído na Íntegra de Saúde Mental e Harmonização

Antes de iniciarmos precisamos definir mais claramente ao quê nos referimos quando falamos em “Qualidade de Vida“. Para alguns isto quer dizer não ter preocupação alguma, para outros seria ter dinheiro em abundância, para outros seria poder realizar todos os seus desejos ou projetos sem ter qualquer tipo de impedimento, para outros seria namorar ou casar-se com uma pessoa famosa, de posses ou atributos físicos idealizados ou específicos, para outras seria ter o tempo todo do mundo para escrever um artigo, tempo para dormir, para amar sem limites, comer, beber, etc.

Pois bem, tudo isto se parece com Qualidade de vida, mas o termo foi cunhado para condições maiores do que as descritas acima.Qualidade de Vida é um conceito ligado ao desenvolvimento humano. Visa que o indivíduo esteja bem consigo mesmo, com seus pares, com sua vida, enfim, é estar em equilíbrio. Ter controle sobre aquilo que acontece a sua volta, ou então, controlar a maneira com que reage aos acontecimentos.

O princípio da Qualidade de Vida passa também por hábitos saudáveis, cuidar bem do corpo, ter tempo para o lazer e outros hábitos que lhe façam sentir bem. Ações que tragam boas conseqüências, definir objetivos na vida e sentir que tem o controle sobre sua vida.

Sendo assim, entende-se como Qualidade de Vida a percepção do indivíduo no contexto pessoal, social e nos sistemas de valores. Tudo isto é afetado pela condição física do indivíduo, seu estado psicológico, por suas relações sociais, pela sua independência e suas relações com o meio ambiente.

Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu um instrumento para aferir a Qualidade de Vida. Trata-se do World Health Organization Quality of Life (WHOQOL) que possui, nas suas duas versões validadas para o Brasil, questões sobre o domínio físico, psicológico, relações sociais, meio ambiente, nível de independência e aspectos religiosos.

Alguns poderão dizer que Qualidade de Vida é o jeito como cada um escolhe viver. É uma opção pessoal, uma decisão consciente. Associar exercícios físicos à Qualidade de Vida nasceu nos Estados Unidos na década de 70. Isso pode funcionar para alguns, mas não para todos. Existem pessoas que abominam o exercício físico e preferem uma vida sedentária, com todos seus riscos.

Toda ação tem que ter como foco as pessoas. Por isso, a Qualidade de Vida objetiva o bem-estar dos indivíduos. Mas a expressão bem-estar dos indivíduos é uma expressão ampla e de difícil caracterização. O que pode ser um bem-estar para alguns pode não o ser para outros. Acredito que e seja por isso que é difícil se falar em Qualidade de Vida. Na teoria é muito bonito, muito bom, mas na prática é bem diferente. Exige um esforço, uma determinação interior para mudar o in status quo ante ou, simplesmente, status quo.

Isso me lembra umas das cenas do filme de Woody Allen, “O Dorminhoco” (Sleeper, 1973), onde o personagem principal, um saxofonista, é descongelado após 200 anos. Ao ser examinado por um dos médicos lhe é perguntado qual era a sua alimentação. Este responde que era uma dieta rica em fibras, verduras, legumes. O examinador fica surpreso e pergunta se na época não eram conhecidos os carboidratos, considerado por eles como uma excelente dieta.

Por vezes acredito que Qualidade de Vida tem muito mais haver com o nosso bem-estar pessoal, respeitando as regras e normas de viver numa sociedade, do que com o ideal que a cultura vigente espera de cada um de nós.