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Poesia

Publicado: 13/06/2011 em Sem categoria
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Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

Poesia

Publicado: 13/06/2011 em Sem categoria
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Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor … não cante
O humano coração com mais verdade …
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Poesia

Publicado: 13/06/2011 em Sem categoria
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Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma…
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

Como todas as noites eu celebro as estrelas

No céu entre elas uma em especial

A minha estrela predileta

Que era você

Porém,

Uma noite,

Olhando para o céu

Como sempre fazia,

E não mais a vi

Mas aonde foi parar a minha estrela?

Porque fugiste de mim

Deixando-me na escuridão

Não olho mais para o céu

Pois sei que você não estará lá.

William Rodrigues

Fonte: Prefeitura de São Bernardo

arscientia

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Kelly Santos
da redação

As inscrições para os cursos de literatura do programa Tantas Letras! estão abertas a partir desta segunda-feira (26/4) e continuam até 7 de maio. Os interessados poderão se inscrever pessoalmente na Biblioteca Monteiro Lobato (Rua Jurubatuba, 1415, Centro), ou pelo site da Prefeitura – http://www.saobernardo.sp.gov.br -, onde está disponível a ficha de inscrição para preenchimento e envio por e-mail.

A atividade oferecida pela Secretaria Cultura promoverá encontros de 8 de maio a 27 de novembro. As atividades acontecerão sempre aos sábados, na Biblioteca Monteiro Lobato. Os momentos serão dedicados à reflexão sobre a literatura, bem como à produção e discussão dos trabalhos dos próprios alunos.

Estarão disponíveis 35 vagas por curso, e os interessados passarão por uma seleção entre os coordenadores. A programação também inclui palestras e a presença de convidados, estimulando os participantes a refletirem sobre os aspectos diferentes da linguagem de cada oficina.

A exemplo da experiência bem-sucedida do ano passado, neste ano também haverá encontro de monitoria, quando os alunos da edição anterior poderão atuar como monitores, criando diálogo e troca de vivências entre as turmas.

consciência

Poesia e psicoterapia

Ana Maria Loffredo, A CARA E O ROSTO. ENSAIO SOBRE GESTALT TERAPIA. São Paulo, Ed. Escuta, 1994.

no espaço terapêutico, cujos limites se desenham através dos pressupostos que o sustentam, recorta-se uma espécie de moldura. Esta será depositária de conteúdos, imprevisíveis, mutantes que, simultânea e paradoxalmente, testam sua eficácia como promotora de sua possibilidade. Pois que o quadro, prenhe de imaginário, contido na necessária, inevitável e essencial moldura, sempre a transcende.

Foi então que meu interesse convergiu para o método através do qual se operacionaliza o trabalho terapêutico, método que procura as condições para que a especificidade criativa desse espaço possa se realizar.

Ora, é esse um começo mais que perfeito para um texto que pretende chegar ao poético partindo do poético, pois não há poesia senão na órbita do indeterminado e da imersão do sujeito no objeto e deste naquele. A questão aberta no livro — a que texto esse pré-texto e contexto levou a escritora — também era a minha pergunta ao começar a leitura.

…Como escreveu Leyla Perrone-Moisés, escritora que também pensa a poesia: (mais…)

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava

Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos,

Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre,

Maria ficou pra tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.


Canção do Dia de Sempre (Mário Quintana)

Tão bom viver dia a dia…

A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas…

Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno e asa ritmada.

E sei que um dia estarei mudo.