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maio 14, 2010 barsaci

A Casa do Saci teve um dia agitado com a reunião dos projetos de trabalho sobre a Loja da Casa do Saci, na qual Sabrina Pedrosa (designer de produtos) do Design Possível assumiu sua gestão e desenvolvimento, o Samba do Bule, exposição de ilustrações e no fim da noite Paulo Amarante com uma noite de autógrafos.

No mês da Luta Antimanicomial ficamos muito orgulhosos e felizes em receber em nossa CASA, Paulo Amarante. A noite de ontem foi muito alegre, muitas pessoas circularam, compraram livros do Amarante vendidos em nossa Livraria, Louca Sabedoria, e também conheceram esse novo espaço da cultura antimanicomial e da economia solidária em São Paulo.

INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
RUA MINISTRO GODÓI, 1484 – PERDIZES – SÃO PAULO – SP
TEL. (11) 3866-2730 / 3866-2731 / 3866-2734
sedes@sedes.org.br
www.sedes.org.br

O Curso de Expansão Cultural “A Reforma Psiquiátrica e as Novas Práticas em Saúde Mental”

oferece uma conferência do professor convidado Dr. Paulo Amarante, aberta ao público,

com o tema “A Reforma Psiquiátrica Brasileira”.
O evento faz parte das comemorações da Semana da Luta Antimanicomial.

Data:

13 de maio, quinta-feira, às 20h30

Local:

Instituto Sedes Sapientiae
Rua Ministro Godói, 1484 – Perdizes – São Paulo – SP
Telefone (11) 3866-2730

Prof. Dr. Paulo Amarante

Coordenador do LAPS Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental -Atenção Psicossocial – ENSP – FIOCRUZ;
Coordenador do GT de Saúde Mental- ABRASCO;
Editor da Revista Saúde em Debate- CEBES;
Doutor Honoris Causa pela Universidad  Madres da Plaza de Mayo.
Em seguida o professor vai autografar seu livros na Casa do Saci: Rua Wanderley, 702 (próximo ao Sedes).

Autor: Paulo Amarante
Fonte: cbsm
A dimensão epistemológica refere-se ao conjunto de questões que se situam no campo teórico-conceitual e que dizem respeito à produção de conhecimentos que fundamentam e autorizam o saber/fazer médico-psiquiátrico. Aqui se incluem a revisão do próprio conceito de ciência como produção de Verdade, ou de neutralidade das ciências, quanto dos conceitos produzidos pelo referencial epistêmico da psiquiatria, tais como o conceito de alienação/doença mental, isolamento terapêutico, degeneração, normalidade/anormalidade, terapêutica e cura, dentre outros. Neste empreendimento epistemológico, dois conceitos têm sido fundamentais para o processo. O primeiro é o de desinstitucionalização na tradição basagliana que, superando àquele da experiência norte-americana, passou a designar as múltiplas formas de tratar o sujeito em sua existência e em relação com as condições concretas de vida. Nesta tradição, a clínica deixaria de ser o isolamento terapêutico ou o tratamento moral pinelianos, para tornar-se criação de possibilidades, produção de sociabilidades e subjetividades. O sujeito da experiência da loucura, antes excluído do mundo da cidadania, antes incapaz de obra ou de voz, torna-se sujeito, e não objeto de saber.

ENSP, dia 12/05/2008

Inspirado nos fóruns sociais mundiais, o II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos, que acontece de 22 a 25 de maio, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Rio de Janeiro, é um desdobramento de uma luta que teve início na época da ditadura militar na Argentina, quando as mães de jovens desaparecidos se uniram para lutar por informações sobre o paradeiro de seus filhos e filhas. “A estratégia é reunir movimentos sociais existentes nas áreas dos direitos humanos e da saúde mental. Mais recentemente, decidimos agregar à área da saúde coletiva, pois a violação dos direitos humanos está presente em todo o campo da saúde pública”, explica o pesquisador Paulo Amarante (Daps/ENSP/Fiocruz), em entrevista ao Informe ENSP, a seguir.

Informe ENSP: Qual é a importância do II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos para a saúde coletiva?

Paulo Amarante:O Fórum nos permite retomar a dimensão política da saúde coletiva, suas articulações e interfaces com as lutas sociais. O SUS avançou, assim como as políticas públicas, mas a participação política e social, no campo da saúde e da formulação das políticas, passa por um processo de burocratização e estagnação. É necessário colocar a saúde coletiva na rua novamente, construindo junto com a sociedade as perguntas e os caminhos; mas não apenas com os mesmos atores sociais específicos do setor saúde, isto é, com as organizações de técnicos, profissionais, usuários de serviços de saúde, e outros que foram incorporados ao sistema participativo da política pública de saúde.

O importante é lidar com a diversidade das forças sociais, com a complexidade da formação social, que nos ajuda a questionar as normas, os padrões e os princípios de um modelo social que nós questionamos por ser excludente, por ser violento e opressor. Enfim, acho que o Fórum vai instigar novas alianças, novas redes de relações políticas e sociais entre os atores do setor saúde com outros atores que procuram inventar uma nova sociedade política.

Informe ENSP: Quais são os principais objetivos desse Fórum?

Paulo Amarante: O I Fórum Internacional nasceu a partir dos Congressos Internacionais de Saúde Mental e Direitos Humanos, organizados pela Universidade Popular Madres da Praça de Maio da Argentina. Esses congressos foram muito importantes para refletirmos sobre as relações entre saúde mental e direitos humanos. No entanto, percebemos que eles estavam assumindo um caráter muito científico, com predominância de técnicos e de profissionais que relatavam ou refletiam sobre suas experiências, e com pouca expressão para os atores sociais que atuam na luta pelos direitos humanos. Foi aí que surgiu a idéia do Fórum, inspirado e articulado com os Fóruns Sociais Mundiais, em que a estratégia é a reunião dos movimentos sociais existentes nestas áreas dos direitos humanos e da saúde mental. E, mais recentemente, decidimos agregar à área da saúde coletiva, pois a violação dos direitos humanos está presente em todo o campo da saúde pública.

O Brasil foi o país eleito para sediar o II Fórum exatamente por ser o país que mais têm exercitado práticas concretas e relevantes de participação, representação e controle social no campo das políticas públicas, e muito particularmente no campo das políticas de saúde. Aqui, no Brasil, temos o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, que já recebeu o título de Doutor Honoris causa coletivo da Universidade Popular das Mães da Praça de Maio. No início do mês de abril deste ano, o Movimento recebeu também a Medalha Chico Mendes de Resistência. Esta medalha é oferecida pelo Grupo Tortura Nunca Mais, um dos mais importantes e amplos movimentos sociais existentes na América Latina. Além disso, existem outros movimentos antimanicomiais muito atuantes no país, entre eles podemos destacar a Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial. Por outro lado, o Brasil foi o único país condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Este episódio ficou conhecido como Caso Damião Ximenes Lopes, cruelmente assassinado em um manicômio no Ceará.

Informe ENSP: O primeiro encontro foi realizado na Argentina, em 2006, e agora será no Brasil. Por ser itinerante, o fórum busca socializar experiências locais na luta antimanicomial em prol de uma política única para os diversos países por onde passa?

Paulo Amarante: É exatamente isso. A idéia é que possamos nos fazer compreender pela sociedade de vários países em nossos princípios de luta contra a violência de uma maneira ampla e, em particular no âmbito da saúde mental, na luta contra os manicômios; não apenas em lutas contra, mas em prol de uma maior solidariedade entre as pessoas e grupos sociais. Nosso entendimento de inclusão não é sinônimo de tolerância. A tolerância é arrogante: tolerar é suportar alguém ou algo parecido. Queremos solidariedade, reciprocidade e, para isto, precisamos mudar a sociedade.

Informe ENSP: Como está sendo feita a organização do II Fórum?

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