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Musicoterapia

Publicado: 06/02/2010 em Reforma da Saúde Mental
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Fonte: Portal da Musicoterapia

Mozart ajuda prematuros
por Paloma Oliveto – Correio Brasiliense
MUSICOTERAPIA » Estudo israelense mostra que, ao ouvir Mozart, prematuros ganharam peso mais rapidamente A música ajuda no desenvolvimento cerebral e, também, no auxílio do tratamento de diversas patologias. Uma boa dose de Mozart não faz bem só aos ouvidos, mas ajuda a normalizar o metabolismo de crianças prematuras. Depois de expor bebês (1) nascidos antes do tempo previsto a músicas do compositor austríaco do século 18, pesquisadores da Universidade de Telavive, em Israel, notaram que eles engordaram e se tornaram mais fortes do que o esperado.
Durante a pesquisa, os nenéns ouviam meia hora de música por dia. Depois da sessão terapêutica, os médicos Dror Mandel e Ronit Lubetzky mediam o gasto energético das crianças e comparavam à média de energia consumida quando estavam deitadas. Eles descobriram que, ao ouvirem o “concerto”, os bebês gastavam menos energia do que em repouso e, com isso, precisavam de uma quantidade menor de calorias para crescer rapidamente. Segundo Mandel, professor da Universidade de Telavive, ainda não está claro como a música afetou os pequenos pacientes, mas ficou evidente que eles se acalmavam graças às composições.

Por que Mozart e não outros compositores, como Beethoven, Bach ou Vivaldi? Mandel explica que isso ainda é um mistério e precisa ser estudado melhor pela ciência. Mas ele tem um palpite: “As melodias de Mozart são repetitivas e podem afetar os centros organizacionais do córtex cerebral”, disse ao Correio. Essa área, embora pequena, abriga mais de 20 mil neurônios e é responsável pelas funções cerebrais complexas, como a percepção dos sentidos, a resolução de problemas e a detecção das qualidades básicas do som, como o tom e a intensidade.

Os pesquisadores, porém, logo começarão a explorar outros tipos de música para verificar se provocam efeitos similares em bebês prematuros. Como o rap, por exemplo, também tem uma frequência repetitiva e pulsante, médicos da equipe de Mandel e Lubetzky acreditam que o estilo pode evocar respostas semelhantes. Em breve, eles esperam estudar que tipo de música as mães dos prematuros ouviam quando estavam grávidas. Os especialistas pretendem expor outras crianças nascidas antes da hora às mesmas melodias para verificar se há algum efeito. Segundo Mandel, a segunda fase do estudo vai incluir peças de música étnica, pop, rap e clássicos, como Bach e Beethoven.

“Os médicos estão conscientes de que a mudança ambiental pode criar um novo paradigma no tratamento de bebês que precisam do cuidado neonatal. Nosso principal objetivo é melhorar a qualidade de vida dessas crianças”, afirma Mandel. Segundo ele, o foco da pesquisa desenvolvida na Universidade de Telavive é quantificar os efeitos da musicoterapia para, então, criar um protocolo médico baseado na técnica. (mais…)

Extraído na íntegra de Portal Musicoterapia Brasileira

O músico Andreas Kisser, guitarrista do grupo Sepultura, em sua coluna no portal da Yahoo!Brasil, comenta sobre a crescente utilização da música como medicina a partir de matérias publicadas na Folha de São Paulo. Confira o texto integral.

Eu tenho lido vários artigos falando sobre a utilização da música como remédio para o tratamento de algumas doenças. Alguns médicos receitam doses controladas de audição musical com hora marcada – como uma pílula ou um xarope. Pesquisas apontam que o processo funciona e tem mostrado que opções mais saudáveis, sem drogas, podem ser usadas na procura da cura de uma doença.

Hospitais que usam o método têm mostrado resultados animadores e surpreendentes, como o caso em que crianças com câncer ouviram por meia hora a “Primavera”, do compositor italiano Vivaldi, e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor, diminuindo assim o uso de sedativos e de remédios.

Na UTI de outro hospital, foram instaladas caixas de som que tocavam música erudita, sons da natureza e temas calmos durante o dia. Depois de um ano, o consumo de sedativos e tranqulizantes caiu 40%, uma porcentagem animadora*.

A música tem mostrado excelentes resultados em doenças típicas da “civilização”, como a ansiedade, depressão, insônia e também hipertenção arterial e arritmia cardíaca. Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, na Áustria, é considerada a primeira farmacologista musical. Ela pesquisou diferentes estilos musicais e encontrou as partes “ativas” que funcionam para o tratamento de doenças. Os pacientes que participam da pesquisa de Brandes recebem um tocador de MP3 com as músicas que devem ser escutadas nos horários certos. É como tomar antibióticos, em que o “timing” é fundamental para o sucesso do tratamento.

A própria Vera Brandes descobriu o poder da música depois de um acidente de carro quase fatal. Ela quebrou duas vértebras próximas da medula espinhal e os médicos disseram que ela teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas. Brandes estava dividindo o quarto com um monge budista que recebia visitas diárias dos colegas, também monges, que ficavam entoando cânticos. Depois de apenas 15 dias, uma ressonância mostrou que a espinha de Vera Brandes estava curada. Os médicos ficaram espantados. Depois da alta, a pesquisadora começou a estudar o poder de cura através da música. A doutora Brandes tem um site para divulgar seus métodos, pesquisas e resultados. (www.sanoson.at) **

É realmente um assunto fantástico para reflexão. Já se ouviu falar bastante do efeito da música em plantas, seres vivos e sensíveis que reagem às vibrações que uma canção emana, mas o efeito como medicamento nos seres humanos é uma coisa que começa a ser levada mais sério.

No estúdio onde costumo ensaiar, vejo regularmente senhores que trabalham em outras profissionais mais “normais”, como advogados, médicos, dentistas, vendedores, etc., e que se juntam para tocar durante três ou quatro horas, uma vez por semana. Isso serve como uma terapia. Eles tocam o que gostam, independentemente do estilo musical, estão se divertindo de uma maneira saudável, aliviando a tensão do dia a dia sem pílulas ou qualquer outro tipo de droga. A música é muito mais poderosa e esclarecedora do que se imagina, é muito mais do que diversão.

Fontes usadas nesta coluna:

*Jornal Folha de S.Paulo – Caderno Equilíbrio
**Jornal Folha de S.Paulo – Caderno The New York Times

Andreas Kisser, casado, três filhos, músico, guitarrista do grupo Sepultura. Espera debater e, principalmente instigar novas idéias e caminhos usando a música como inspiração para a busca de entendimento e tolerância.