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Personalidades e entidades são escolhidas. Vote pela internet

A comissão organizadora escolheu as três entidades e as três personalidades que disputarão o 2º Prêmio João Ferrador de Promoção da Cidadania.
Os ganhadores serão escolhidos pela categoria em votação direta pela página do Sindicato na internet www.smabc.org. br) e por meio de cédulas em algumas fábricas (leia abaixo).
A cerimônia de entrega do prêmio será realizada no próximo dia 12 de maio, data do 51º aniversário de fundação do Sindicato, a partir das 18h, na Sede.
A luta contra os manicômios e pela inserção das pessoas com doença mental na vida cotidiana ganha cada vez mais destaque no País.
Entre os indicados
Categoria Entidades:
Movimento Nacional da Luta Antimanicomial surgiu para se
contrapor à forma tradicional de tratar a loucura, caracterizada pelo asilamento e pela violência. Pela
terapia tradicional, o portador de transtorno mental internado numa instituição psiquiátrica é alguém sem direitos, submetido ao poder da instituição e de quem o afastou e o excluiu.

Vote:

http://www.smabc.org.br/portal/joaoferrador.asp

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Há vinte anos comemora-se o dia 18 de maio como o dia da Luta Antimanicomial no Brasil. Concidentemente, estreamos o nosso blog nesta data tão significativa para o movimento. No dia 18/05/1987, na I Conferência Nacional de Saúde Mental, foi elaborado o documento final do evento, que propunha a reformulação do modelo assistencial em saúde mental e conseqüente reorganização dos serviços, privilegiando o atendimento extra-hospitalar e as equipes multiprofissionais. Iniciava-se a discussão dos direitos de cidadania e da legislação em relação ao doente mental. Hoje podemos comemorar que mais da metade dos hospitais psiquiátricos do país já foram extintos e o número dos Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial (Naps e Caps) aumenta cada vez mais.

A luta nacional da Psicologia é por uma sociedade sem manicômios, verdadeiras prisões para portadores de sofrimento mental, violadoras dos Direitos Humanos, instituições desoladoras, que só agravam os problemas, indefinidamente.

A Reforma Psiquiátrica deseja a interação cotidiana entre a loucura e a sociedade, demonstrando que a cidadania é um direito de todos.

Fontes: RedePsiCiência e Saúde Coletiva e Luta Antimanicomial

Higéia

Duas culturas sanitárias bem antigas convivem entre nós: a da PREVENÇÃO e a da REPARAÇÃO (ou cura). Já foram simbolizadas pelo semideus grego da medicina, ESCULÁPIO e suas filhas HIGÉIA e PANACÉIA.

Vejamos as vicissitudes da vida das duas irmãs, do século XIX aos tempos atuais: apogeu e perda de prestígio da saúde pública inglesa e da medicina social (ou polícia médica) francesa; o vertiginoso fortalecimento contemporâneo da cultura sanitária da reparação (transplantes imunobiológicos, cirurgias com laser, engenharia genética aplicada a medicina), novos fármacos. Panacéia rouba de Higéia a mortalidade materno-infantil.

Mas Panacéia não cometeu,contra sua irmã Higéia,sororicidio. A tarefa dos intelectuais e práticos de saúde,hoje, é reconciliar as irmãs e dar origem a uma NOVA CULTURA SANITÁRIA DE SÍNTESE.
Duas velhas culturas sanitarias,dois modos distintos(socialmente condicionados,como sempre) de abordar a doença mental:para os POBRES os manicômios,para os RICOS E A CLASSE MÉDIA atendimento individualizado.Nestas duas opções,dois modos implícitos de conceber a articulação entre o biológico e o social,entre DESTINO E CULTURA. Até mesmo uma contingência do modo de organizar e financiar os serviços ganhou foro de teoria: a teoria de que a eficácia da terapêutica depende do ato de pagar as consultas e sessões dos pacientes…
A cultura sanitária de síntese deve conceber o social passando pelo biológico. Deve compreender de modo dialético a articulação rica,complexa, entre o individual e o coletivo, a história da vida e a história da sociedade.
Toda a presente reflexão sobre a necessidade e os contornos da nova cultura sanitária e iluminada, e impregnada, de nossa experiência no campo da saúde mental.
Nós partimos de uma ação drástica, que ganhou grande repercussão: a intervenção na Casa de Saúde Anchieta, no dia 3 de maio de 1989. Motivada por denúncias de maus tratos e até mortes de pacientes,a intervenção foi cuidadosamente planejada: optamos por,digamos assim, pegar o touro pelo chifre,por enfrentar o tema da saúde mental pelo que tem de mais agudo, O LOUCO E O MANICÔMIO.
Fizemos um balanço da experiência de mais de dez anos de instalação dos ambulatórios de saúde mental em centros de saúde em São Paulo. Nenhum leito manicomial desativado. Na melhor das hipóteses, essa rede atendeu uma demanda reprimida. Na pior,criou uma demanda artificial,recrutada entre gestantes,escolares,adolescentes,idosos,pacientes etc. Os loucos continuaram sendo internados em manicômios públicos ou controlados por diversos profissionais PSI, eventualmente passando temporadas em clínicas especiais.
Resolvemos começar pelo hospício,e depois construir a rede ambulatorial (NÚCLEOS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAIS-NAPS). Nossa experiência não é apenas positiva,treze meses depois: eh facinante. Nosso modelo assistencial em saúde mental não trabalha com a idéia da atenção primária. Nossos NAPS fazem TODOS OS NÍVEIS DE ATENÇÃO, e são ambulatoriais e hospitalares (eu diria,hospitaleiros também) ao mesmo tempo.Não fecham nunca. E trabalham dentro e fora de suas sedes. Nosso modelo assistencial realiza,e exige,novas identidades profissionais: novos psiquiatras, novos psicólogos,assistentes sociais,terapeutas ocupacionais,enfermeiros,novas profissões,velhas profissões na equipe de saúde (gente de teatro,música,esporte,etc).

Mas, nosso modelo assistencial também exige uma nova cultura na própria sociedade. Ao intervir na cidade,com suas pinturas,manifestações,vídeos,jornais e festas, o trabalho em saúde mental renova valores que são aspirações seculares da humanidade: valores democráticos,de liberdade e igualdade.
Valores que brotaram na Revolução Francesa,há 201 anos, sob o nome de fraternidade, e que hoje traduzimos como SOLIDARIEDADE.

Apresentado em Porto Alegre,15 de junho de 1990

COSTA FILHO,David Capistrano, in
“DA SAÚDE DAS CIDADES”,Hucitec,SP,1995

“Este texto dá uma dimensao de pertencimento,inovação,construção política e resultado sanitário incontextável. Décio Alves”

Redução de danos: estratégia de cuidado com populações vulneráveis na cidade de Santo André – SP

Silvia Moreira da SilvaI; Ana Lucia SpiassiII; Decio de Castro AlvesIII; Daniela de Jesus GuedesIV; Reinaldo de Oliveira LeigoV

IAssistente Social. Coordenadora da Unidade de Redução de Danos – Programa de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André. Mestre em Enfermagem de Saúde Coletiva pela Faculdade de Enfermagem da Universidade de São Paulo
IISocióloga. Coordenadora do Núcleo de Prevenção em DST/AIDS da Secretaria Municipal da Saúde de Santo André. Pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC e mestranda em Medicina Preventiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Endereço: Rua das Silveiras, 73, Vila Guiomar, CEP 09071-100, Santo André, SP, Brasil.
IIIPsicólogo. Coordenador do Programa de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Santo André
IVLicenciada em computação. Redutora de Danos da Unidade de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André
VTécnico em Enfermagem. Redutor de Danos da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André

RESUMO

A Unidade de Redução de Danos (URD) da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André, compreendida como instrumento do serviço de saúde em atuação avançada, tem por finalidade transformar a situação de saúde de sujeitos que fazem parte de grupos sociais estigmatizados e, portanto, vulnerabilizados; são indivíduos que circulam ou trabalham nas ruas – usuários de drogas, michês, mulheres profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, adolescentes em situação de exploração sexual, transexuais, travestis, lésbicas e mulheres que trabalham em casas de programas. Nosso objetivo é assegurar aos indivíduos desses grupos o direito à saúde e, baseados no princípio de Integralidade do SUS, apoiar o acesso a outros direitos sociais. Desde 2002, através do trabalho de campo, foi possibilitada a vinculação de 240 profissionais do sexo, 120 travestis, 10 crianças e adolescentes, 28 usuários de droga injetável e usuários de crack, que até então não tinham acesso aos recursos e dispositivos de saúde do Município.

Palavras-chave: Redução do dano; Drogas de abuso; Avaliação de serviços de saúde; Problemas sociais.

Artigo Completo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902009000600018