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Prezados Companheir@s
 
Nada melhor do que termos incluso dentro da programação do 18 de maio, a noticia da inauguração de uma nova Residência Terapêntica no pais, com objetivo da criação ou expansão de uma rede de atenção Psicossocial, no respectivo municipio.
Importante passo este voltado ao fortalecimento e na implantação da politica de saude mental e do SUS num Municipio, que não deixa de ser fruto também da participação da comunidade, neste processo de construção, e de luta pela efetivação da Reforma Psiquiatrica Antimanicomial, e pela defesa da lei nº 10.216/01.
Lembrando também que cada CAPS ou Residencia Terapeutica, construido no pais, propriciando assim  a inserção social, a garantia aos direitos e cidadania, tratamento digno e humano acompanhado por multiplos profissionais, para uma pessoa com transtorno mental, estará sendo visto, que a gestão local daquela respectiva cidade, não apenas consta no seu projeto  de governo, melhorias para a Saúde Mental, mas sim que chega cumprir com aquele compromisso assumido, que lamentavelmente muitas vezes em algumas cidades, não sai do papel.
 
 
Saudações Antimanicomiais
 
 
Mario Moro

CONVITE:

Data: 20 de maio às 18 hs.
Endereço: R. José Veríssimo, 09 –
Vila Euclides
(Próximo ao CAPS Adulto)
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TENDÊNCIAS/DEBATES – FSP

Não há saúde sem saúde mental
JAIR DE JESUS MARI

ADOECER FAZ parte da condição humana. Quando alguém adoece, é natural que receba afeto, simpatia e compreensão para superar o problema. Mas o mesmo não acontece quando essa pessoa adoece por um transtorno mental.

A doença, nesse caso, pode ser interpretada como sinal de fraqueza, de autoflagelo, de covardia. Adoecer psiquicamente não é prerrogativa da modernidade. É tão humano quanto nascer ou morrer. O transtorno mental não escolhe nem cor de pele nem classe social. Quantos reis e rainhas fazem parte dessa lista? Quantos artistas consagrados que conseguiram realizar grandes obras apesar de seus tormentos? Que sofrimentos não experimentaram Van Gogh, Virginia Woolf e Vladimir Maiakóvski?

Estou tentando me lembrar de uma só família que tenha passado incólume por essa marca. Como convencer as pessoas de que adoecer mentalmente é tão normal quanto ter hipertensão arterial, diabetes ou hemorragia? Em outubro de 2007, a tradicional publicação britânica “The Lancet”, por obra de seu jovem e instigante editor, Richard Horton, decidiu abraçar a causa dos transtornos mentais (www.cepp.org. br/lancetconf/ ).

A iniciativa do “Lancet” foi reforçada por um movimento intitulado “Global Mental Health Movement”, que lançou um chamado para uma ação global pela ampliação dos serviços de saúde mental. Hoje, 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, a OMS está lançando um programa semelhante em Genebra. A meta é que todo desvalido e marginalizado tenha seus direitos contemplados. Que todo sujeito com problema, independentemente de cor, classe e diagnóstico, tenha direito à liberdade, ao respeito e à dignidade que façam dele um semelhante, apenas diferente.

Adoecer de um transtorno mental é tão natural quanto os dizeres do verso do poeta Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”. A estimativa é que 25% da nossa população adulta irá exigir algum tipo de cuidado de saúde mental no espaço de um ano. A magnitude dessa realidade provoca enorme descompasso entre demanda e disponibilidade de serviços, mesmo nos países desenvolvidos.

O que dizer desse desequilíbrio nos países mais pobres? Nos últimos anos, vimos uma redução substancial dos leitos psiquiátricos no país e a introdução progressiva dos novos Caps (centros de atenção psicossocial) . Vários pacientes saíram da situação de confinamento e voltaram para casa. Os profissionais brigam entre si. Alguns defendem os hospitais, outros, o atendimento comunitário. O paciente fica no meio, à mercê da disputa.

O que mais importa é que as alternativas de tratamento, em hospitais ou em Caps, sejam humanizadas, condignas e efetivas, ou seja, compostas, de fato, de uma terapêutica especializada e de padrão internacional. Pode ser preciso estender o tratamento por toda a vida. Ah! Mas o tratamento escraviza, deixa a vítima dependente da pílula, dirão os críticos do uso continuado, por exemplo, de medicação psicotrópica.
Sou defensor da interpretação antagônica: o tratamento liberta, deixa o sujeito em condição de respirar, de criar e até mesmo de sorrir e sonhar. O sistema de saúde mental atual tem muito a melhorar. A análise de todos os serviços e recursos humanos disponíveis por regiões do país, realizada por um grupo de trabalho recentemente, indicou várias recomendações a serem implementadas (http://www.who. int/mental_ health/
who_aims_country_ reports/en/ index.html) .

Uma questão importante é a expansão do número de leitos psiquiátricos em unidades do hospital geral. Receber pessoas com transtornos mentais em enfermarias de hospitais clínicos auxiliaria a reduzir o estigma enfrentado por pacientes e seus familiares. É também fundamental a continuidade do programa de desinstitucionalizaçã o progressiva dos pacientes remanescentes em situação asilar, sobretudo em hospitais reconhecidamente deficientes e com histórico de abuso dos direitos humanos.

Os transtornos mentais são responsáveis por 18% da sobrecarga global das doenças no país, mas contam com 2,5% do orçamento da saúde. Para um país que pretende reduzir a desigualdade social, é essencial cuidar de seus desprotegidos com dignidade. Que se amplie o financiamento à saúde em direção à oferta mais eqüitativa dos serviços destinados aos portadores de transtornos mentais, pois não há saúde sem saúde mental.

JAIR DE JESUS MARI , 55, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e professor honorário da Universidade de Londres, é membro do Comitê Executivo do Global Mental Health Movement.