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PARA ALÉM DO MODO PSICOSSOCIAL

Publicado: 20/08/2010 em Sem categoria
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A partir de uma palestra da Nicácio sobre o Modo Psicossocial fiz algumas anotações e reflexões para melhor absorver o conteúdo.

Bom, no trabalho com o usuário do serviço de saúde mental nosso processo de avaliação precisa estar mais atrelado ao atribuir valor do que ao ato de fiscalizar, desse modo estamos promovendo reabilitação psicossocial.

Este trabalho precisa ainda nortear-se por uma perspectiva teórica, e, dentro da perspectiva teórica basagliana e de Saraceno, entende-se a reabilitação implicada com o resgate do exercício dos direitos de cidadania.

Ao abordarmos o tema da reabilitação psicossocial devemos ter em mente que há vários olhares e perspectivas possíveis, não há uma verdade absoluta, há, isto sim, diversas linhas de trabalho.

Parafraseando Paulo Amarante, a tradição basagliana é a desinstitucionalização, a superação dos manicônios, a saída das pessoas dos hospitais psiquiátricos.

Ao lidarmos com o atendimento em serviços de saúde mental o recurso da territorialização é bastante eficaz, pois viabiliza o protagonismo dos usuários e familiares em sua convivência no dia-a-dia inseridos na comunidade.

O processo da territorialização é parte da transformação cultural, importante para que a transformação estrutural não seja limitada a mudanças físicas na estrutura dos locais de atendimento sem o devido cuidado e atenção às pessoas em seus direitos civis.

Refletindo sobre valores humanos, temos que a liberdade é a maior descoberta da psiquiatria. Que a liberdade é um direito fundamental da pessoa com sofrimento mental pode ser algo óbvio, mas o óbvio é difícil quando se coloca o homem frente a frente consigo mesmo, com sua humanidade e com toda a fragilidade envolvida nisto.

A institucionalização implica também na perda de direitos. O louco pertence a um grupo social considerado a princípio sem direitos. Neste contexto, a Reforma Psiquiátrica vem em prol da pessoa em seu livre estar no mundo, é uma concepção ético-política.

O louco deve ter garantido, inclusive, seu direito de recusar o tratamento e o cuidado. É neste ponto que nossa responsabilidade ético-sanitária de não abandonar a pessoa a sua própria sorte pode conflitar-se com os direitos da pessoa. Este desafio está presente no dia-a-dia do nosso trabalho: “Nós sabemos o que é melhor para os usuários?” O que é melhor para os usuários surge a partir do diálogo constante. Por exemplo, o usuário que não pode sair do CAPS é “distraído” com um convite para ver televisão? Isso não é considerar a priori que ele não tem condição para diálogo e negociação? É preciso conversar mais com os usuários aos invés da adoção de uma atitude prescritiva. Não podemos invalidar os saberes das pessoas. O usuário do serviço precisa se apropriar do processo. Os projetos terapêuticos precisam ser co-produzidos em um campo de negociação com os familiares e com os usuários. Os projetos terapêuticos se dão enquanto projetos de vida ou projetos para a vida. Assim é possível pensar a superação da lógica asilar com produção de uma nova realidade que libere a sociedade da necessidade do manicômio através de uma mudança cultural. A superação da lógica manicomial implica no compartilhamento de responsabilidades.

Alguns dos direitos fundamentais são: trabalho, cultura e escola. Os valores devem estar centrados nas pessoas e não nas instituições. O serviço precisa ser construído de acordo com as necessidades das pessoas.

O objeto do modo psicossocial não é a doença e também não é estático. O objeto é a existência e o sofrimento e está em constante transformação. Sendo assim, o horizonte da intervenção não é a cura como meta ideal, mas a superação da idéia de saúde como ausência de doença.

Serviços fortes são fortes em recursos para produzirem mensagens e valores. Serviços devem ser fortes no reconhecer o usuário em sua singularidade e complexidade. É no campo das relações entre os fortes e os considerados frágeis que Saraceno critica a idéia de auto-suficiência. É preciso uma transformação cultural da instituição para viabilizar a transformação estrutural do serviço. Os serviços tornam-se substitutivos a partir de suas práticas concretas. O serviço não pode ser pensado como uma finalidade em si. Pensar o serviço como um recurso implica no constante questionamento do que se está produzindo no serviço.

Hospitalidade integral pode ser definida como atenção contínua 24 horas à pessoa dotada de direitos, não confinada/isolada, hospitalidade esta com o objetivo de diminuição dos conflitos envolvendo a pessoa e seu contexto ambiental, através de um cuidado de contato, com construção de vínculo, cuidado intensivo.

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I ENCONTRO PAULISTA DE CAPSi

Publicado: 26/06/2010 em Sem categoria
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I ENCONTRO PAULISTA DOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL PARA A INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

INSCRIÇÕES GRATUITAS

Data: 28 de agosto de 2010 (sábado)

Horário: das 09h00 às 18h00

Local: Faculdade de Saúde Pública

Av. Dr. Arnaldo, 715, Cerqueira César

Realização:

LASAMEC – Laboratório de Saúde Mental Coletiva – Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

CDH – Crescimento e Desenvolvimento Humano

CCEx – Comissão de Cultura e Extensão

PROGRAMAÇÃO-I ENCONTRO PAULISTA DE CAPSi

Sábado, 28 de agosto de 2010 – MANHÃ
8h às 9h CREDENCIAMENTO
9h às 9h15min Abertura: O LASAMEC e a Saúde Mental Infanto-Juvenil
Palestrante: Professor Doutor Alberto Olavo Advíncula Reis

Coordenador do Laboratório de Saúde Mental Coletiva e Docente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo-PUC-SP.

9h15min às 11h30h-
Mesa Redonda –
Moderadora: Maria Cristina Vicentin

Docente da Pontifícia Universidade Católica

Edith Lauridsen Ribeiro-Os CAPSi e a rede de saúde.

Psiquiatra infantil da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Cristina Hoffmann-Os CAPSi no Brasil.

Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Secretaria de Atenção a Saúde do Ministério da Saúde.

Raul Gorayeb- O CAPSi Escola: capacitação e formação .

Docente da Universidade Federal de São Paulo e coordenador dos Centros de Referência da Infância e Adolescência.

11h30min às 12h30min Apresentação da Pesquisa: Caracterização Epidemiológica e Sociodemográfica da População Atendida pelos CAPSi- SP
Palestrante: Doutor Felipe Lessa da Fonseca

Doutor pela Pontifícia Universidade Católica- PUC-SP`e Coordenador da Pesquisa.

INTERVALO PARA ALMOÇO: das 12h30min às 14h

Sábado, 28 de agosto de 2010 – TARDE
14h às 16h
(atividades simultâneas) Comunicações Orais: apresentações sobre relatos de experiências, distribuídas em quatro salas, com duração de 10 minutos, relativas aos seguintes eixos temáticos:
1) DEMANDAS EPIDEMIOLÓGICAS NOS CAPSI;

2) PRÁTICAS E CONDUTAS NO SERVIÇO;

3) INCLUSÃO, TERRITORIALIDADE E INTERSETORIALIDADE;

4) FORMAÇÃO, CAPACITAÇÃO E EQUIPES INTERDISCIPLINARES;

Grupos de Trabalho: apresentação e debate sobre material de pesquisa selecionados de acordo com os mesmos eixos temáticos, distribuídos em 04 salas.

INTERVALO: das 16h às 16h30min

16h30min às 17h30min
Encerramento e Considerações Finais
resumo dos relatores dos grupos de trabalho
encaminhamentos

FICHA DE INSCRIÇÃO

Nome:
Instituição:
Função:Formação:

Endereço: Município:

Telefone: E.mail:
Inscrição para:
( ) Participação
( ) Apresentação de trabalho – comunicação oral / relato de experiência

OBS: A apresentação de trabalhos deve ser acompanhada do envio de resumo, juntamente com esta ficha de inscrição para o e-mail encontrocapsi2010@yahoo.com.br.
OBS: As inscrições de trabalhos e/ou participações no encontro independem da realização da inscrição e participação no II Congresso Internacional da Saúde da Criança e do Adolescente.

CRITÉRIOS PARA APRESENTAÇÃO DE RESUMO:

O resumo deve ter no máximo 250 palavras.

Deve-se buscar o enquadramento nos seguintes eixos temáticos:

-Demandas epidemiológicas nos Capsi;

-Práticas e condutas no serviços;

-Inclusão, territorialidade e intersetorialidade;

-Formação, capacitação e equipes interdisciplinares;

Sugestões para composição do Resumo: Introdução, população atendida, local e duração das ações, descrição das práticas, resultado e/ou considerações sobre o trabalho.

Descrição da prática, resultado e/ou considerações sobre o trabalho.

DADOS DA APRESENTAÇÃO DO TRABALHO
Nome do(s) autor(es):
Título:
Eixo Temático:
( ) Demandas epidemiológicas nos Capsi

( ) Inclusão, territorialidade e intersetorialidade

( ) Práticas e condutas no serviços
( )Formação, capacitação e equipes interdisciplinares

Resumo (máximo de 250 palavras):

Obs: A apresentação de trabalho deve ser acompanhada do envio de resumo, juntamente com A ficha de inscrição para o e-mail: encontrocapsi2010@yahoo.com.br

Comunicação oral

Diálogos e Saberes / Paradigmas e estilos

Rosemar Prota – Prota, R. – LASAMEC-FSP-USP

A temática deste trabalho envolve o processo da reforma psiquiátrica como prática de política pública em contraposição ao modelo hospitalocêntrico e medicamentoso. O objetivo desta comunicação oral é o de apresentar as vantagens do modo psicossocial, gerador de autonomia, sobre o modelo asilar, estigmatizante e cronificante. A luta antimanicomial vem como resposta à demanda de trabalhadores, familiares e de usuários do serviço de saúde mental, demanda esta que não se reduz ao tratamento medicamentoso, mas que é, de fato, reivindicadora de direitos humanos e de cidadania. Direitos humanos que envolvem substituição dos hospitais psiquiátricos por outros serviços de atendimento, dos quais o matriciador territorial é o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Dentro deste modelo, tem-se o CAPS-III, com funcionamento de 24 horas e leitos, o que possibilita ao usuário permanecer em tratamento tempo integral durante as crises. Este atendimento é inclusivo e integrador, em contraposição ao modelo asilar, segregador e excludente. A partir da prática inclusiva do modo de atendimento psicossocial superam-se as barreiras entre trabalhadores, familiares e usuários do serviço. Atividades desenvolvidas com e na comunidade servem para a construção coletiva de novas formas de vivência e de uso do espaço social. Os Centros de Convivência e Cooperativa (CECCOS) fazem parte dos serviços de atendimento no modo psicossocial e, através de práticas comunitárias, promovem o processo de geração de renda e inclusão social. O resgate da cidadania dos que foram segregados da sociedade por longas internações psiquiátricas é promovido também pelo seu direito de habitarem as residências terapêuticas, casas que possibilitam aos indivíduos ter seu espaço de moradia, integrados à sociedade. A reabilitação psicossocial, no modelo da reforma psiquiátrica, implica em garantir espaços nos quais o sujeito possa se re-apropriar de sua história como protagonista de sua própria vida. O resgate da rede social integra o indivíduo em seu espaço comunitário. Geração de renda, moradia, autonomia e uma concepção de saúde que vai além do conceito reducionista da ausência de doenças, caracterizam o modo psicossocial em sua oposição ao modo asilar e cronificante.

O evento, Saúde Mental e Educação: as iniciativas da escola, promove o encontro de professores e profissionais da saúde mental para que possam conhecer e discutir as propostas que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e a Secretaria Municipal de Educação do município de São Paulo, tem para os processos de inclusão, dificuldades de aprendizagem e socialização do escolar.

O Laboratório de Saúde Mental Coletiva (LASAMEC) da Faculdade de Saúde Publica da USP tem como objetivos, ao propor esta aproximação entre a Saúde Mental e a Educação: auxiliar na construção do conhecimento interdisciplinar do profissional que atua junto à criança e adolescente; ampliar um campo da discussão que vai muito além dos corredores da escola e dos consultórios.

Dia 28/05 – 9h até as 12h

Local: Fac. de Saúde Pública da USP – Av. Dr. Arnaldo, 715. Auditório Paula Souza – térreo.

Incrições em www.fsp.usp.br

Seminário “Para além do Modo Psicossocial”

O Laboratório de Saúde Mental Coletiva – LASAMEC – do Departamento de Saúde Materno-infantil promove o Seminário:

“Para além do Modo Psicossocial”

Objetivo: propiciar espaço de discussão sobre as questões atuais da implementação da rede de atenção psicossocial no cuidado em saúde mental a partir da Reforma Psiquiátrica.

Atividade aberta.

Entrega de certificados ao final.

Data: 28 de abril de 2010

Horário: 13h30 às 15h30

Local:

Sala de Reuniões do Departamento de Saúde Materno-infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP

Av. Dr. Arnaldo, 715 (próximo ao metrô Clínicas) – 2º andar

Programação

13h30 – 13h45: Apresentação – Prof. Dr. Alberto Olavo Advincula Reis. Docente da Faculdade de Saúde Pública/USP

13h45 – 15h00: “Para além do Modo Psicossocial” – Profa. Dra. Maria Fernanda de Silvio Nicacio – Docente da Faculdade de Medicina/USP

15h00 – 15h30: Debate

Inscrições gratuitas

Envie um e-mail para svalunos@fsp.usp.br, informando o assunto: “seminário”, com as seguintes informações: nome completo, telefone, e-mail e o nome da instituição de ensino/trabalho.