Posts com Tag ‘geração de renda’

A escassez de material científico sobre o tema do desemprego e sua relação com os agravos à saúde mental é um indicativo preocupante de que é preciso olhar de modo mais integral o usuário do serviço de saúde.

O desemprego aqui vem como menos uma possibilidade de expressão do ser, de apropriação de si, de auto-realização, auto-gratificação, auto-valorização. Nas sociedades contemporâneas nem sempre o emprego é um trabalho que possibilite ao ser todas estas realizações mas a falta deste é, de certo modo, a negação concreta destas possibilidades.

Analisemos o ditado popular: “O trabalho dignifica o homem”. De que trabalho estamos falando? E de que homem estamos falando? Apenas para nos delimitarmos ao  campo da saúde mental, pensemos na pessoa portadora de sofrimento mental que repetidas vezes é eliminada nas vagas de emprego ou que as consegue por pouco tempo. Que (in)dignidade é esta? Oras, se o trabalho dignifica o homem, aquele que não consegue trabalho não consegue também dignificar-se? Seria isso? De que dignidade estamos falando?

A desigualdade que sustenta o sistema capitalista é fortificada com conceitos e crenças que separam e classificam as pessoas individualizando os fatores que podem levá-las ao sucesso (do ponto de vista capitalista) ou à falta deste. Pessoas  que fujam ao padrão de produtividade passam então a ser tratadas à margem do sistema  e do modus vivendus da sociedade.

Este mecanismo retroalimenta a incontrolabilidade do indivíduo frente às exigências do meio ao passo que este é cobrado como único ou primordial responsável por sua sorte ou desgraça capital, ao mesmo tempo em que se vê submetido às regras do jogo social em busca de seu “lugar no mundo”.

Oras, se o emprego é fonte de renda do trabalhador, temos que o desemprego é a ausência não só do trabalho mas também da renda. Renda esta necessária para subsistência do indivíduo, que, passando necessidades financeiras, pode ver sua saúde mental piorar ainda mais.  Maslow define como necessidades primordiais do homem a serem supridas para sua saúde: as necessidades básicas (alimentação, vestuário…), necessidades de segurança (sentir-se seguro em uma moradia…), necessidade de pertencer a um grupo e de ser amado  e respeitado, e necessidade de auto-realização. Sem fonte de renda como o cidadão poderá suprir sequer a primeira e mais básica das necessidades hierarquizadas por Maslow como indicador de saúde e realização?

Neste contexto surge a economia solidária como alternativa de geração de trabalho, renda e inclusão social que pode se dar através de cooperativas, associações, ou outras. O resgate do indivíduo marginalizado no sistema de produção tradicional, permitindo-lhe desenvolver-se a si e a  suas potencialidades é o caminho para a  saúde mental que, ao invés de individualizar a responsabilidade pelo locus social, socializa os benefícios da convivência cooperativa.

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Retirado na Íntegra de: Metro
Por princípio, o executivo Guilherme Brammer não tem cartão de visitas. A empresa onde ele trabalha acredita que o futuro do planeta está em economizar recursos. E, se for possível, dar uma nova vida ao
que já foi gasto e usado.
É por isso que ele aceitou o convite da empresa internacional TerraCycle
para fazer no Brasil o que em países como Estados Unidos, Inglaterra e México já faz parte do consciente coletivo: reciclar.
Antes de se unir à Terra- Cycle, Brammer trabalhou na Vitopel, que fabrica polipropileno biorientado (embalagem flexível). Tinha grandes multinacionais entre seus clientes.
Mas o fato de trabalhar com uma matéria-prima de difícil reciclabilidade passou a ser questionável. “Isso começou a me incomodar demais”, diz o empresário de 33 anos.
No site de relacionamentos LinkedIn, conheceu o americano Tom Szaky.
Começava ali a oportunidade de aplicar o que já tinha aprendido na carreira
com uma nova perspectiva profissional. Szaky, descendente de húngaros,
morou na Holanda e no Canadá e estudou na Universidade de Princeton, nos
Estados Unidos. No refeitório da escola, descobriu que podia fazer algo com
lixo orgânico. Ele compraria minhocas, que comeriam esse resíduo e ofereceriam um excelente fertilizante.
A combinação se transformaria em um excelente modelo de negócio.
Na mesma linha de pensamento, Szaky vislumbrou a possibilidade de ganhar
dinheiro com lixo. Ele pagaria a quem coletasse embalagens, garrafas PET,
latas e confeccionaria novos produtos, fechando um ciclo e iniciando outro. Todo esse trabalho seria patrocinado por empresas como Unilever, Nestlé, Danone, entre outras. A ideia deu certo.
Nos Estados Unidos, há 8 milhões de pessoas coletando lixo. No Brasil, o número é bem menor, mas o objetivo de Brammer é mobilizar a população através do http://www.terracycle.com.br.
Ali está explicado como o cidadão pode colaborar, quanto é pago por embalagem e onde são os locais onde é possível comprar bolsas e outros produtos confeccionados com embalagens de salgadinhos e suco.
“É o lixo patrocinado”, diz Brammer, feliz com sua nova carreira.

Do lixo à consciênciaPor princípio, o executivoGuilherme Brammer nãotem cartão de visitas. A empresaonde ele trabalhaacredita que o futuro doplaneta está em economizarrecursos. E, se for possível,dar uma nova vida aoque já foi gasto e usado.É por isso que ele aceitouo convite da empresainternacional TerraCyclepara fazer no Brasil o queem países como EstadosUnidos, Inglaterra e Méxicojá faz parte do conscientecoletivo: reciclar.Antes de se unir à Terra-Cycle, Brammer trabalhouna Vitopel, que fabrica polipropilenobiorientado(embalagem flexível). Tinhagrandes multinacionaisentre seus clientes.Mas o fato de trabalharcom uma matéria-prima dedifícil reciclabilidade passoua ser questionável. “Issocomeçou a me incomodardemais”, diz o empresáriode 33 anos.No site de relacionamentosLinkedIn, conheceuo americano Tom Szaky.Começava ali a oportunidadede aplicar o que játinha aprendido na carreiracom uma nova perspectivaprofissional. Szaky,descendente de húngaros,morou na Holanda e no Canadáe estudou na Universidadede Princeton, nosEstados Unidos. No refeitórioda escola, descobriuque podia fazer algo comlixo orgânico. Ele comprariaminhocas, que comeriamesse resíduo e ofereceriamum excelente fertilizante.A combinação setransformaria em um excelentemodelo de negócio.Na mesma linha de pensamento,Szaky vislumbroua possibilidade de ganhardinheiro com lixo. Elepagaria a quem coletasseembalagens, garrafas PET,latas e confeccionaria novosprodutos, fechando umciclo e iniciando outro. Todoesse trabalho seria patrocinadopor empresas comoUnilever, Nestlé, Danone,entre outras. A ideiadeu certo.Nos Estados Unidos, há8 milhões de pessoas coletandolixo. No Brasil, o númeroé bem menor, mas oobjetivo de Brammer é mobilizara população atravésdo http://www.terracycle.com.br.Ali está explicado como ocidadão pode colaborar,quanto é pago por embalageme onde são os locaisonde é possível comprarbolsas e outros produtosconfeccionados com embalagensde salgadinhos e suco.“É o lixo patrocinado”,diz Brammer, feliz com suanova carreira.