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Fonte: Rede Brasil Atual

Gleisi Hoffmann, que recebeu mais votos ao Senado no Paraná do que o ex-governador Roberto Requião (PMDB), cobra mais incentivos à participação feminina na política

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual

Publicado em 06/10/2010, 19:19

Última atualização às 20:03

'Não há espaço para as mulheres nas discussões políticas', critica senadora eleita
A senadora do PT eleita pelo Paraná, Gleise Hoffman (Foto: Elias Dias/ Divulgação)

 

São Paulo – Apesar do cenário atípico, por tratar-se de uma eleição presidencial com duas mulheres candidatas, a nova composição do Congresso Nacional praticamente manteve-se inalterada em relação ao atual cenário. Segundo estudo feito pelo Departamento Intersidical de Assessoria Parlamentar (DIAP), a bancada feminina contará com 45 mulheres em exercício na Câmara e 12 no Senado. Para a senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT-PR), faltam incentivos à participação feminina na política.

“A estagnação da representatividade feminina deve-se à falta do incentivo que as mulheres precisam para iniciar uma vida política”, afirma, em entrevista à Rede Brasil Atual. Para Gleise, essa configuração é resultado da falta de espaço nas discussões políticas, mesmo na própria sociedade.

Para ela, é indispensável que as mulheres obtenham a mesma representação que os homens estabeleceram no decorrer da história política do Brasil. “Para as mulheres também garantirem voz e espaço na política, ações de fomentação são necessárias para uma maior representação feminina.”

Ela defendeu a adoção de normas mais efetivas para garantir o aumento das vagas ocupadas por mulheres no Legislativo. A minirreforma eleitoral, aprovada em 2009 pelo Congresso Nacional, reforçou a obrigatoriedade da cota de 30% das candidaturas para mulheres nas eleições proporcionais – à Câmara Federal e às Assembleias Legislativas.

Ela defende a adoção de modelos mais arrojados, citando Chile e Argentina, que promovem listas de candidatos exigindo representação igual entre homens e mulheres. Segundo ela, os nomes são intercalados em uma lista fechada. No Brasil, a definição dos eleitos à Câmara Federal e aos legislativos estaduais é dada pelo número de votos de cada concorrente – em um modelo chamado de “lista aberta” – o que mantém distorções ligadas à capacidade de arrecadação de cada campanha.

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Gênero e Direitos Humanos

Publicado: 30/06/2010 em Sem categoria
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Um olhar sobre a guerra que mutila mulheres

Em entrevista a ZH, o congolês Denis Mukwege explica por que conflito em seu país é inútil e pede ajuda

Estancar a violência que há mais de uma década assola a República Democrática do Congo (ex-Zaire) pela sensibilização da comunidade internacional, especialmente de países emergentes como o Brasil. Esse é o objetivo do médico congolês Denis Mukwege (pronuncia-se Denís Mukége), 55 anos, um dos mais prestigiados ativistas pelos direitos humanos do mundo, em sua primeira visita ao Brasil. Mukwege foi o terceiro conferencista do ciclo Fronteiras do Pensamento, na noite de ontem, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Eram 19h56min quando tomou a palavra, agradecendo à atenção dada para seu continente. Ginecologista e obstetra em Bukavu, cidade no leste do país, Mukwege se especializou no atendimento a mulheres vítimas de estupro e mutilação na guerra entre bandos armados pelo controle de áreas ricas em minérios. Recebeu prêmios como o Olof Palme, instituído pela Suécia. Hoje, às 10h, também no Salão de Atos da UFRGS, ele fala sobre Compromisso Social da Medicina, com entrada franca.

Na manhã de domingo, menos de 24 horas depois de chegar ao Brasil, Mukwege falou por 40 minutos a Zero Hora. A seguir, um resumo:

O país

“A República Democrática do Congo é um país abençoado por Deus. Mas a bênção que Deus deu a nosso país se tornou a fonte de seu infortúnio. Lá, todas as guerras desde 1960 e mesmo antes ocorreram por razões econômicas. No século 19, o rei Leopoldo II, da Bélgica, recebeu o Congo como sua propriedade privada, pessoal – uma superfície de quase 2,4 milhões de quilômetros quadrados. Pouco depois, houve a descoberta do látex. O Congo foi um grande provedor de borracha. Leopoldo II exigiu de cada pessoa que extraísse uma determinada quantidade de látex. Se essa quantidade não fosse atingida, a pessoa tinha a mão cortada. Com todas as infecções e hemorragias, 10 milhões de congoleses morreram. Em 1960, quando o país conquistou a independência, o mesmo governo belga não aceitou a perda das minas de Katanga e deflagra uma guerra de secessão dessa região. ”

O conflito atual

“A guerra que recomeçou hoje e já dura mais de 10 anos é também pelas riquezas do Congo. Não há grupos que queiram controlar o território, não é uma guerra entre tribos, raças, religiões ou mesmo etnias. É uma guerra pelo controle das minas de coltan e de cassiterita, minérios utilizados na fabricação de telefones celulares e nos laptops. Há multinacionais interessadas em obter esses minerais. Classifico-a como uma guerra inútil, porque é possível obter essas matérias-primas sem assassinar e vitimizar mulheres e sem destruir a população local. Da maneira como a guerra ocorre, é uma guerra para destruir a comunidade local e criar um espaço em que os grupos armados exploram o coltan e a cassiterita sem controle e os exportam para o mercado mundial. Mais de 5 milhões de congoleses foram mortos, mulheres foram estupradas e mutiladas diante de seus maridos e filhos. Há mais de 2 milhões de deslocados. ”

A repercussão

“Estive no Parlamento Europeu e lhes informei do que se passa na República Democrática do Congo. Dei informações ao Senado americano. Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) esteve no ano passado na República Democrática do Congo, viu a realidade com seus olhos e ouviu relatos. O que acontece lá é conhecido. Temos a força mais importante da ONU: 16 mil homens. Mas, infelizmente, é na região onde estão esses 16 mil homens que ocorrem os piores abusos. Há dois anos, um relatório foi emitido, mas não houve reação, a não ser da Holanda, da Dinamarca e da Suécia. Estados Unidos e China não fizeram nada. Creio que, se não há reação, é porque há grandes interesses de manter a exploração ilegal dos grandes recursos do país.”

As mulheres

“As mulheres são as principais vítimas da guerra porque a violação, a mutilação e a destruição do aparelho genital delas são utilizadas como uma estratégia de guerra. É uma estratégia porque é utilizada de forma deliberada. Destruir o aparelho genital das mulheres, que são o pilar da família, sem matá-las, diante dos maridos, dos filhos e dos vizinhos, é uma forma de destruí-las não apenas fisicamente, mas também psicologicamente, e a seus maridos e filhos. É uma maneira de destruir o tecido social, de destruir todos os valores, de desorganizar uma sociedade que já não era tão organizada.”

Papel do Brasil

“Minha presença aqui é para conquistar a voz dos brasileiros. Se minha conferência for assistida por mil brasileiros, se a base do Brasil pedir, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será sensibilizado pela situação. Se a voz dos brasileiros disser ao presidente que está escandalizada com a situação e que a violência tem de cessar, isso contará muito. Hoje, sentimos a indiferença total do mundo. O peso do Brasil pode fazer a diferença.”

luiz.araujo@zerohora.com.br

LUIZ ANTÔNIO ARAUJO

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PLENÁRIO / Pronunciamentos
29/06/2010 – 17h23
Zambiasi cobra reação à tragédia humanitária no Congo

O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) chamou a atenção nesta terça-feira (29) para a guerra entre bandos armados da República Democrática do Congo pelo controle das minas que fornecem matéria-prima para a fabricação de produtos como celulares e laptops. De acordo com o senador, o conflito, que já dura mais de dez anos, atinge sobretudo as mulheres, vítimas de estupro e mutilação genital.
Zambiasi relatou a participação do médico congolês Demis Mukwege no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, que acontece em Porto Alegre (RS) até o final de 2010. Ginecologista, Mukwege recebeu uma série de prêmios internacionais, além de uma indicação ao Nobel da Paz, por sua cruzada pelo fim da violência em seu país.
Em sua palestra, Mukwege, de acordo com Zambiasi, teria explicado que a guerra do Congo não tem fundo religioso ou cultural, mas econômico. O conflito seria mantido pelas multinacionais interessadas no tântalo, no tungstênio e no estanho das minas congolesas.
O estupro e a mutilação das mulheres funcionariam como uma estratégia para manter esse mecanismo em funcionamento.
– Destruir o aparelho genital das mulheres, que são o pilar da família, sem matá-las, diante dos maridos, dos filhos e dos vizinhos é uma forma de destruí-las não apenas fisicamente, mas também psicologicamente, destruindo assim a família, os seus maridos e os seus filhos. É uma maneira de destruir o tecido social, de destruir todos os valores, de desorganizar uma sociedade que já não era tão organizada – disse Zambiasi.
A tragédia no Congo deu origem a uma campanha internacional, pela internet, de pressão às empresas que utilizam esses minérios na fabricação de seus eletrônicos. A ameaça é de boicote, como ressaltou o senador. Ele cobrou uma reação efetiva dos governos, da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU) diante “desses grupos de terrorismo econômico que provocam tamanho sofrimento, vergonha e humilhação àquelas comunidades”.
– Há de se perguntar se não seria o caso de a Organização Mundial do Comércio e dos governos reagirem diante de empresas que se utilizam desse material vindo das minas do Congo ou de se fazer um boicote às empresas que fabricam telefones celulares e laptops – disse.
Segundo o jornal norte-americano The New York Times, o conflito do Congo é o mais letal desde o final da 2ª Guerra Mundial, e o leste do país costuma ser descrito como maior polo mundial de estupros. A guerra causou 5,4 milhões de mortes até abril de 2007, e o total aumenta em 45 mil ao mês, de acordo com um estudo do Comitê Internacional de Resgate. Mais de 2 milhões de congoleses já buscaram refúgio em outros países.
Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)