Posts com Tag ‘drogas’

Do prazer à dor

Publicado: 08/08/2010 em Sem categoria
Tags:,

Vícios


As drogas ilegais não são as únicas substâncias a provocar dependência; existem também os loucos por sexo, chocolate, jogos e mesmo por compras

Quem nunca se divertiu ao consumir álcool ou tentou esquecer algum problema tomando um porre que atire a primeira pedra. Se não foi com álcool, pode ter sido com o cigarro, com drogas ilícitas e até mesmo com chocolate e café. Ou ainda, numa fúria consumista, no shopping ou em um sexo bem feito. O fato é: a busca pelo prazer nos move, tendemos a repetir ações agradáveis e às vezes é nesse prazer que encontramos uma forma de fugir das dificuldades. O problema é quando o “gostar muito” se transforma em dependência, e o prazer se transforma em dor.
Não são apenas os consumidores de drogas ilícitas (cocaína, heroína, maconha…) ou lícitas (cigarro e álcool) que estão sujeitos a isso. Sexo, jogo, compras e comida também podem ser alvo de compulsão e os seus dependentes apresentam os mesmos sintomas de quem se vicia em substâncias químicas. Os especialistas são categóricos ao dizer que não existe sociedade sem drogas – isso se estende, para todo tipo de substância psicoativa, ou seja, que afete o funcionamento do cérebro (o que inclui também a cafeína, presente no café, na Coca-Cola e no chocolate). Mas é possível ir além: talvez não exista sociedade sem vícios – sejam eles por drogas ou por comportamentos.
Faz parte da história da humanidade buscar substâncias psicotrópicas. Acredita-se que o consumo de ópio, álcool e Cannabis já ocorria de 3.000 a 4.000 anos antes de Cristo.
“O fenômeno de dependência de drogas é algo que se prende à condição humana com diversas finalidades, desde a de apaziguar as dores, as angústias, as tristezas, até o de elevar aos deuses”, escrevem os psiquiatras Antônio Pacheco Palha e João Romildo Bueno no prefácio do livro “Dependência de Drogas”, que compila textos de 54 especialistas no assunto. “Assim sendo”, continuam eles, “é natural que, enquanto houver dor, angústia, frustração, abatimento e dúvidas o homem irá continuar o uso de drogas “.
Mas não é só a busca de um alívio que leva a esse consumo. “Existem dois tipos de vício: um que serve para alterar a percepção de uma realidade intolerável e outro que passa só pela questão do prazer”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Tudo pela recompensa

É o prazer que explica por que é possível ficar dependente de coisas tão diferentes como drogas, chocolate, café, jogo, sexo ou compras. Análises de mapeamento mostram que há uma região no cérebro, conhecida como sistema de recompensa, que é ativada por substâncias presentes tanto nas drogas quanto no nosso próprio corpo (hormônios e neurotransmissores) e que são liberadas quando passamos por estresse, excitação, alegria etc.
“Tudo o que é bom a gente quer repetir. Isso porque o cérebro se lembra que gostou e pede mais”, explica a neurocientista Suzana Herculano Houzel, autora do livro “Sexo, Drogas, Rock´n´roll e Chocolate – O cérebro e os prazeres da vida cotidiana”. Esse comportamento do cérebro é que nos faz ter motivação para tocar a vida.
O que intriga é por qual razão uma boa parcela dos usuários se contenta com o consumo recreativo de drogas e a prática saudável de sexo, por exemplo, enquanto outros tantos caem na dependência. A explicação da neurociência é que, diante de certos comportamentos ou consumo excessivo de uma substância, o sistema de recompensa é ativado ao extremo e, por proteção, acaba se dessenbilizando. Fazendo uma comparação bem simples, é o mesmo que ocorre com o elástico esticado além do limite e que não volta mais ao normal.
“Na próxima vez, aquele mesmo comportamento vai resultar em uma ativação menor do sistema de recompensa, em um prazer menor, e, para conseguir o mesmo grau de prazer que se conseguia antes, vai ser preciso mais daquilo. Jogar mais, fazer mais sexo, usar mais droga, comer mais chocolate”, diz Suzana.
O problema é que essa dessensibilização do sistema de recompensa gera uma espécie de déficit de satisfação. Imagine que, no estado natural, todos temos um nível médio de ativação do sistema de recompensa. Entre os dependentes, o nível fica abaixo do normal. “É por isso que a vida da pessoa passa a orbitar ao redor do vício, que vira idéia fixa. Tudo o que a pessoa faz está centrado em como conseguir mais daquela coisa”, explica a neurocientista. “E não faz diferença se é uma dependência química ou não-química. Todas passam pelo excesso de ativação e dessenbilização do sistema de recompensa.”
Mas o que leva algumas pessoas à perda do controle independe de critérios simples, como a quantidade de droga ingerida. Para Xavier, um dos motivos pode ser a existência de problemas psíquicos e emocionais na vida do usuário. Em sua tese de doutorado, ele avaliou dependentes de álcool e de cocaína e descobriu que 80% apresentavam algum distúrbio nessa linha, sendo que 44% tinham depressão – a maioria adquirida antes do consumo de drogas. “É como se a droga servisse de alívio para os sintomas depressivos. Está aí a entrada para a dependência química”, afirma. Segundo o pesquisador, problemas na família são outro fator de risco para a dependência. “Teoricamente não é possível que uma pessoa sem problemas acabe se viciando”, diz. Claro que é preciso levar em conta qual droga está sendo consumida.

Dependência Psicológica

No caso da maconha, menos de 10% dos usuários ficam dependentes, número que sobe para 60% com a cocaína e para 80% com o crack e a heroína, de acordo com Xavier.
Além disso, o maior problema é a dependência psicológica. “A medicina evoluiu tanto que é facílimo tirar alguém de uma dependência física, mas o indivíduo recai por causa da psicológica”.
Ele cita um estudo feito na década de 80, na Universidade Harvard, nos EUA, que descreveu pessoas que usavam heroína, uma das drogas que mais causa dependência, sem se viciar. Isso mostra que nem tudo pode ser atribuído à droga. “Ela é um fator necessário para causar dependência, mas não suficiente. É preciso ter a droga e mais um monte de coisas”, diz.
As dependências químicas e não-químicas estão tão arraigadas que o tratamento acaba sendo bastante parecido. É nisso que aposta o Proad, que criou, ao lado do ambulatório de drogas e álcool, um local voltado para compulsivos por comida, sexo e jogo. “Uma das hipóteses é de que existe um mecanismo central por trás de tudo, independente de a pessoa ser dependente de jogo, droga, álcool ou sexo. As formas de tratar são as mesmas.”
Os médicos e psicólogos perceberam também que muitos usuários tendem a transitar de uma droga para outra, e delas para um comportamento compulsivo. “O indivíduo vai trocando de dependência e mascara o problema dele independente do vício. O efeito é o mesmo. Em todos os casos está por trás a busca do prazer e a perda do controle”, constata.  Novamente a neurociência confirma: “A explicação é que todos os vícios passam pelo mesmo lugar do cérebro. Cada um escolhe, digamos, a sua droga de preferência, mas na falta dela, qualquer outra serve para ativar o sistema de recompensa”, diz Suzana Herculano-Houzel. “Por isso, até os tratamentos pensam nesse todo. A recomendação dos Alcoólicos Anônimos e dos Narcóticos Anônimos é abstinência total, é a pessoa reconhecer que o vício se aplica a tudo”.

Sociedade do Vício

Para Dartiu Xavier, essas múltiplas opções também são reflexo de uma sociedade voltada para os vícios. “Tendemos a estimular esses comportamentos, somos consumistas e de certo modo até hedonistas. Tudo é voltado para a obtenção do prazer”. Para ele, o comportamento dos pais em exigir dos filhos desempenhos fantásticos em todos os aspectos da vida colabora para uma fuga para as drogas. “Esperamos que nossos filhos sejam muitos inteligentes, bonitos e satisfeitos sexualmente. Essas sensações todas são percebidas por quem usa cocaína. O modelo de mundo que a gente passa para as nossas crianças é o de intoxicação por cocaína. A gente não ensina o mundo de verdade. E depois eles ficam com a auto-estima lá em baixo, frustrados, e a droga aparece como uma saída”, dispara.
Assim pensa também o médico sanitarista Fábio Mesquita, pioneiro na criação de programas pela redução de danos aos usuários de drogas. “O consumo de drogas hoje é uma epidemia e está relacionado a uma vulnerabilidade social que faz com que as pessoas se apeguem a todo tipo de coisa. As pessoas são bombardeadas com propaganda de cigarros, de álcool e até mesmo de drogas ilícitas, que não estão na TV, mas que chegam às pessoas. Por isso acredito que hoje seria praticamente impossível, nesse contexto social, uma sociedade sem drogas”.
Ele lembra que em 1998, a ONU fez uma assembléia especial sobre drogas, quando foi proposto que até 2008 o mundo ficaria livre desse problema. Nesse ano foi feito o primeiro balanço e se constatou que cresceu o consumo. “Esse tipo de proposta é um delírio, completamente irreal”.  Mas, se isso é uma condição inerente ao ser humano, como ficam as pessoas totalmente proibidas de usar drogas – como ocorre nas sociedades islâmicas mais radicais?
Para Mesquita, a repressão e a religiosidade “seguram” as pessoas, mas na primeira oportunidade elas buscam outro tipo de prazer. “O Afeganistão. por exemplo, logo que se libertou do regime Taleban voltou a ter uma tremenda produção de ópio para exportação. Outro bom exemplo é a Rússia, onde praticamente não havia consumo de drogas durante o regime comunista e hoje é o país onde mais crescem os casos de Aids por uso de drogas injetáveis”.
Na contramão estão os dependentes convertidos pelas religiões evangélicas que oferecem a Bíblia no lugar das drogas. “De certo modo, é como se elas se viciassem em religião”, brinca Mesquita. Elas assumem um comprometimento emocional, psicológico de outra natureza, mas também passam a dedicar sua vida 24 horas àquilo, só falam desse assunto e só pensam nele”.
Do mesmo modo que ocorre com as drogas.

Todos os caminhos levam ao sistema de recompensa

A palavra “vício” costuma ser aplicada só para os casos de dependência de drogas, mas o que se caracteriza por esse desejo obsessivo, tolerância e síndrome de abstinência também se aplica para comportamentos compulsivos. Em todos os casos é ativado o sistema de recompensa do cérebro e, em geral a quantidade de dopamina (neurotransmissor ligado ao prazer) aumenta no núcleo acumbente (NAc), que é o centro do sistema. Como resultado a dopamina circulante pode chegar a ser dez vezes maior que a produzida por prazeres cotidianos, levando a um verdadeiro êxtase.
Diante de tamanha ativação, o sistema de recompensa reage e diminui a sua sensibilidade. A partir daí, para conseguir o mesmo prazer inicial, o usuário tem de consumir cada vez mais. Veja abaixo como cada droga interfere no circuito de prazer do cérebro:

Opiáceos e Opióides – Ópio, morfina e heroína ativam diretamente os receptores das endorfinas (opióides do próprio corpo) no núcleo acumbente. A função delas normalmente é regular o teor final de dopamina no NAc. Com a ação das drogas, a produção de dopamina cresce, o que leva a sensações de euforia e bem-estar.

Ecstasy – É uma anfetamina modificada, mas não age como uma (liberando dopamina direto no NAc), e sim como a cocaína, impedindo a reabsorção da dopamina. Essa ação é tão duradoura que o prazer pode se prolongar por horas. A droga age também em vários outros lugares do sistema límbico, inclusive o hipotálamo, que regula funções vitais. É esse comportamento que pode desencadear problemas com hipertermia e desidratação que podem levar à morte.

Cocaína e Crack – Impede a reabsorção da dopamina liberada no núcleo acumbente em uma situação de prazer. A droga bloqueia o processo de reciclagem da dopamina pelos neurônios aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses, o que leva à sensação de euforia característica da droga. O uso continuado danifica os neurônios e pode levar à redução dos efeitos da dopamina, provocando depressão e agressividade.

Álcool – Seu efeito vem de mais longe: ele age na origem das fibras dopaminérgicas que chegam ao NAc, numa área no meio do cérebro chamada área tegmental ventral (começo do circuito de prazer). O álcool ativa diretamente os neurônios do VTA, que passam a liberar mais dopamina sobre o NAc. O resultado, mais uma vez, é o aumento da concentração de dopamina no NAc. O uso prolongado prejudica a estrutura dos neurônios e afeta a comunicação entre eles.



Fonte: Revista Galileu Especial nº3 – Agosto/2003

Anúncios
Fonte: Vicentinho
Dispõe sobre a inclusão, no currículo escolar desde o primeiro ano, de matéria destinada a orientar sobre os efeitos do consumo de drogas ilícitas e lícitas. Nada mais eficaz do que Educação.
JUSTIFICATIVA:
O consumo de drogas é um dos maiores problemas da atualidade, atingindo jovens e adultos de todas as camadas sociais. Mais vulneráveis são os jovens, principalmente aqueles que nunca tiveram acesso às informações básicas sobre as graves conseqüências do uso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.
As escolas são, sem dúvida, o espaço privilegiado para o debate sobre o consumo de drogas. Na escola o aluno(a) vê-se incentivado a realizar discussões que, ou por falta de conhecimento ou de oportunidade, não são debatidas no seio familiar.
A desagregação familiar do mundo moderno alija o jovem do diálogo, levando-o a buscar outras formas de comunicação, nem sempre apropriadas para a sua boa formação. Visando instituir mecanismo eficaz para o esclarecimento e orientação das crianças e dos jovens adolescentes sobre as reais conseqüências do uso de drogas é necessário utilizar-se da prevenção, que é o melhor remédio.

Extraído na íntegra de UNIAD

Uso experimental do canabidiol traz resultados promissores, com melhora das alterações de sono e dos sintomas psicóticos
O Brasil não autoriza terapia com nenhuma substância derivada da maconha; em outros países, erva é usada para tratar dor neuropática
Folha de São Paulo – JULLIANE SILVEIRA – DA REPORTAGEM LOCAL
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Translacional em Medicina testam o canabidiol -uma das 400 substâncias encontradas na maconha- para tratar males como a doença de Parkinson, fobia social e sintomas psicóticos da esquizofrenia.
Um trabalho publicado em novembro traz resultados promissores para controlar efeitos adversos do tratamento do Parkinson. Seis pacientes receberam cápsulas de canabidiol em associação ao remédio contra a doença durante um mês.

“Os parkinsonianos apresentaram melhora nas alterações de sono e nos sintomas psicóticos e tiveram maior redução dos tremores”, diz o psiquiatra José Alexandre Crippa, professor do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da faculdade e um dos pesquisadores.

Outro estudo com dez pacientes, que será publicado em 2010, demostrou que o canabidiol tem efeito ansiolítico contra a fobia social, que gera sintomas como medo de falar em público. Os voluntários receberam a substância uma hora e dez minutos antes de um teste que leva à ansiedade e placebo, para comparar os resultados.

Por causa desses efeitos, pacientes costumam procurar a erva, ainda que sem conhecer as propriedades dos compostos específicos, para se sentirem melhor. Estudos mostram que veteranos de guerra consomem mais maconha, assim como pessoas com transtornos psiquiátricos, em comparação com a população em geral.

“Pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo e com mania dizem que podem ouvir do médico os melhores argumentos para pararem de usar maconha, mas não vão parar porque se sentem nitidamente melhor. Mas é obviamente desaconselhável o uso não terapêutico da erva, porque pode piorar os sintomas psicóticos. É um paradoxo, porque as substâncias podem ajudar a tratar problemas, mas quem fuma não sabe o que está inalando, desconhece a proporção dos compostos”, diz Crippa.

Dificuldades

No Brasil, não há autorização para o uso terapêutico de nenhuma substância derivada da Cannabis sativa (nome científico da maconha). Mas em outras partes do mundo tanto o canabidiol quanto o TCH (delta 9 tetrahidrocanabinol) -os compostos derivados da erva mais estudados- são utilizados para tratar também dores neuropáticas, náusea e vômito causadas por quimioterapia e esclerose múltipla.

Eles são disponíveis em forma de cápsulas, spray bucal e adesivo e podem ser inalados -em alguns estados dos EUA, pacientes são autorizados a fumar maconha com teores mais elevados de TCH para tratar algum problema.

Elisaldo Carlini, psicofarmacologista e diretor do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp, afirma que é muito difícil importar o material necessário para pesquisas. “Em termos de lei, está tudo na estaca zero. Por aqui, não se reconhece a maconha como remédio de jeito nenhum”, diz.

Para tentar organizar o estudo sobre o uso medicinal da maconha no Brasil, o Cebrid organizará em maio de 2010 um simpósio que reunirá pesquisadores, sociedades científicas e representantes do governo. Pesquisadores defendem a criação da Agência da Cannabis Medicinal, uma exigência da ONU para que um país possa usar clinicamente os medicamentos à base de derivados da erva. A agência seria vinculada ao Ministério da Saúde.

“Não tenho nenhuma dúvida de que a maconha é importante. No passado, foi considerada um dos principais produtos para combater dores miopáticas, chamavam-na de divindade da neurologia. Mas não se pode usar a torto e a direito sem indicação médica. O controle é importante”, afirma Carlini.

tiagonepomuceno.com.br

Redução de danos: estratégia de cuidado com populações vulneráveis na cidade de Santo André – SP

Silvia Moreira da SilvaI; Ana Lucia SpiassiII; Decio de Castro AlvesIII; Daniela de Jesus GuedesIV; Reinaldo de Oliveira LeigoV

IAssistente Social. Coordenadora da Unidade de Redução de Danos – Programa de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André. Mestre em Enfermagem de Saúde Coletiva pela Faculdade de Enfermagem da Universidade de São Paulo
IISocióloga. Coordenadora do Núcleo de Prevenção em DST/AIDS da Secretaria Municipal da Saúde de Santo André. Pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC e mestranda em Medicina Preventiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Endereço: Rua das Silveiras, 73, Vila Guiomar, CEP 09071-100, Santo André, SP, Brasil.
IIIPsicólogo. Coordenador do Programa de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Santo André
IVLicenciada em computação. Redutora de Danos da Unidade de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André
VTécnico em Enfermagem. Redutor de Danos da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André

RESUMO

A Unidade de Redução de Danos (URD) da Secretaria Municipal de Saúde de Santo André, compreendida como instrumento do serviço de saúde em atuação avançada, tem por finalidade transformar a situação de saúde de sujeitos que fazem parte de grupos sociais estigmatizados e, portanto, vulnerabilizados; são indivíduos que circulam ou trabalham nas ruas – usuários de drogas, michês, mulheres profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, adolescentes em situação de exploração sexual, transexuais, travestis, lésbicas e mulheres que trabalham em casas de programas. Nosso objetivo é assegurar aos indivíduos desses grupos o direito à saúde e, baseados no princípio de Integralidade do SUS, apoiar o acesso a outros direitos sociais. Desde 2002, através do trabalho de campo, foi possibilitada a vinculação de 240 profissionais do sexo, 120 travestis, 10 crianças e adolescentes, 28 usuários de droga injetável e usuários de crack, que até então não tinham acesso aos recursos e dispositivos de saúde do Município.

Palavras-chave: Redução do dano; Drogas de abuso; Avaliação de serviços de saúde; Problemas sociais.

Artigo Completo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902009000600018