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Segunda-feira, 8 de março às 19:0 0

Livro: SEGREDOS DE MULHER
Editora: Atheneu
Autor : Rubens Voliche e Alexandre Faisal
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista – São Paulo/SP

Segredos. Eles estão por todos os lugares, em todas as etapas de nossas vidas. Às vezes, se expressam num sorriso contido, discreto. Outras vezes refletem pesar, decepção, dor. Dores da alma. Dores corporais. Talvez por terem sido silenciadas por tanto tempo, as mulheres parecem guardar mais segredos. Fruto do medo, da injustiça e do desrespeito, os segredos muitas vezes surgem da força, bruta ou sutil, que, ao longo dos séculos, desconsiderou a mulher, sua existência, suas diferenças, seus desejos. Mesmo depois de terem conquistado o voto, de serem reconhecidas em sua igualdade e direitos, muitas ainda se calam, outras têm dificuldade para falar. No entanto, em alguns momentos, os segredos tornam-se insuportáveis. É quando se busca alívio na confidência, quando um suspiro, um olhar, uma palavra denunciam uma dor que não pode mais ser abafada. Em outros momentos, os segredos contidos podem ainda explodir numa linguagem diversa: a do corpo, dos sintomas, das doenças. Dos sofrimentos, concretos ou imaginários, que precisam ser compartilhados. Revelados. Os profissionais de saúde são frequentemente destinatários privilegiados desses segredos. Porém, as clínicas ginecológica e psicanalítica se constituem como lugares particulares de revelação e, por que não dizer, liberação. Lugares onde as mulheres, quase sempre sem saber, buscam o reconhecimento de segredos que elas mesmas não sabem existir ou não conseguem compreender. Do encontro inesperado com algumas dessas mulheres, surgiu este livro. Ele reúne histórias, algumas angustiantes, outras felizes, de mulheres, casais, filhas e famílias que puderam ser descobertas e compreendidas a partir de outro olhar para queixas que se manifestavam apenas como sintomas ginecológicos: as dúvidas de uma gravidez, o desconforto de uma dor vaginal, o medo de um tumor, as perdas de um aborto, as dificuldades e prazeres da vida sexual. Nos relatos de cada capítulo, o leitor descobre como, ao encontrar a escuta atenta do médico, do psicoterapeuta ou de qualquer profissional de saúde, um corrimento pode revelar uma decepção amorosa; um mioma, uma dificuldade conjugal; uma gravidez, os medos mais longínquos da infância. Por meio de revelações como essas, na clínica, as mulheres muitas vezes descobrem que os segredos, os silêncios e as dores podem não ser mais necessários, que ao falar sobre eles, pode surgir o alívio, e também a possibilidade de transformação.

* Este evento será realizado no piso térreo da loja principal.

Extraído na Íntegra do blog do Dr. Alexandre Faisal

Como você enxerga os outros? Da mesma maneira que você enxerga você mesmo? Antes de responder esta questão, honestamente, façamos um exercício: Você tem uma entrevista agendada para um emprego muito desejado e você chega atrasado. Na posição de entrevistada, é possível que você culpe o despertador que não tocou ou o trânsito que estava insuportável. Na posição de entrevistadora, é quase certo que você considere a candidata ou o candidato pouco responsável, para dizer o mínimo. O que está em jogo é a diferente percepção que temos de nós mesmos e dos outros, segundo um artigo publicado na “Science”.

Dois aspectos cruciais para compreender esta diferença são: primeiro a qualidade e quantidade de informação que a pessoa tem sobre si em comparação ao outro. Ela sabe mais sobre suas intenções e sensações. Logo ela sabe que ações, como por exemplo, chegar atrasada à entrevista, falharam em atingir seus objetivos por imprevistos, como por exemplo, o tráfego. O segundo, em decorrência do campo visual, o ser humano pode dedicar menos atenção para seus atos do que para os atos dos outros. Resumidamente, nos utilizamos de informações internas para avaliarmos nós mesmos e nossas atitudes, ao mesmo tempo que nos servirmos de informações externas, oriundas dos sentidos, em particular da visão, para compreender e julgar os outros. Resultado desta dinâmica: nós enxergamos a nós mesmos “introspectivamente”, valorizando nossos sentimentos, pensamentos e intenções, mas nós enxergamos os outros, de maneira oposta, de dentro para fora, ou seja, realçando comportamentos observáveis.

Conclusão: nós julgamos os outros, baseado em nossos sentimentos e pensamentos. E é claro que isto pode produzir conflito entre as pessoas. Conhecer estas diferenças pode ser, segundo o autor, útil no relacionamento entre as pessoas. E ainda, segundo ele, a explicação pode estar no cérebro, onde pesquisas de neurociência tentam revelar os segredos do nosso funcionamento mental. Determinadas áreas cerebrais são ativadas neste processo de percepção, seja ela auto percepção ou a percepção de terceiros. Bom, se até aí tudo caminha bem, a surpresa final é que é possível que nós enxerguemos nós mesmos, numa situação do passado ou do futuro como sendo uma outra pessoa, um terceiro.  Isto porque o acessos aos nossos conteúdos internos, talvez pela distância temporal, fique mais difícil, senão impossíveis. E sem eles, nós não somos nós. Bem, nesta altura, eu já me contento, se você que me escuta, não me julgar maluco.  (Pronin.Science, 2009)