Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores

Publicado: 26/09/2010 em Sem categoria
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Fonte: marciosvartman
emocionante profundo triste…

A entrevista de Geraldo Vandréexibida hoje (25 de setembro, 2010) na Globo News foi uma das coisas mais tocantes e tristes que assisti nos últimos tempos.

Uma alma rica, alegre, humanista e corajosa, foi esmigalhada pela vergonhosa, imoral e covarde máquina da repressão militar durante a ditadura que tivemos neste país nas décadas de 60 e 70.

Vandré articula sua fala com sabedoria e sensibilidade, mas com um psiquismo destruído que revela em suas entrelinhas um corpo agredido, machucado, mutilado. Vandré chegou a dizer que segue exilado, jamais voltou. Jamais pôde voltar, pois o homem que era foi destruído, junto com, como ele afirma, aqueles brasileiros idealistas que ainda acreditavam no cenário político.

Vandré foi parte da trilha sonora de minha infância e foi ao som de suas canções que meus pais me ensinaram o que é liberdade, democracia, idealismo. Ao vê-lo nesta entrevista, primeira à TV desde seu exílio. Sofri entre lágrimas a pobreza humana que vivemos.

Lamento discordar profundamente de Zé Ramalho, que há alguns anos declarou que Vandré está ótimo e produtivo. Discordo sutilmente da opinião dada pelo entrevistador que o entrevistou há algum tempo pro Cliquemusic, quando diz que ele está calmo e que “não pirou”.
Vandré não “pirou”, se por piração esperamos alguém dizendo frases sem sentido e andando pelado em praça pública, mas sua saúde mental é uma sombra que escurece sua mente machucada e assustada. Não dou muita atençao a classificações patológicas, mas, ao meu escutar e meu olhar não soa como bem, não soa como calmo e produtivo. Soam como a manifestação de um artista ao sofrimento tão profundo que ninguém poderia compreender e ele não aguentaria dividir.

Hoje temo por um país que reelege um governo que, a meu ver, se banha em um populismo puquíssimo democrático. Em respeito profundo a Geraldo Vandré não farei deste texto um manifesto político, mas um pedido por humanismo, seriedade, amor e construção conjunta. Nestes aspectos, nosso país vai de mal a pior, tomando rumos empobrecedores, Um pedido que faço apenas a Deus, evitando assim trazer a Vandré o universo político que ele, nitidamente doente, enfraquecido, moído, faz questão de manter fora de sua vida, provavelmente, por não poder jamais livrar-se das consequências de sua maravilhosa existência e seu encontro com o idealismo político e humano. Já que, no fundo, deveriam estes dois ser apenas um. Mas não são.

Poucas vezes vi um homem tão ressentido, magoado e sem forças de reagir. Um homem que criou para si um isolamento completo, talvez por não poder isolar-se de todos aqueles que estiveram em seu passado e que frequentam suas traumatizadas lembranças, que devem esconder-se do que lhe é consciente pra assombrar seu eu mais profundo.

No dia em que Vandré completou 75 anos ele foi deitar-se sozinho num quarto de hotel, e eu vou me deitar triste, com vergonha e com medo do que pode o ser humano desumanizado fazer com o outro.
…E pra não dizer que não falei das flores

Marcio Svartman

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comentários
  1. eduardo elias pereira disse:

    tive a sensação de que ele morreu afetivamnete e o intelecto continua produzindo a partir de uma lavagem cerebral que é recoren e mimética,veja que absurdo ele fez uma polifonica para a FAB

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