Filhos de portadores de hanseníase reivindicam indenização por terem sido separados dos pais

Publicado: 22/08/2010 em Sem categoria
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Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Os filhos de portadores de hanseníase – vítimas de uma antiga lei brasileira que obrigava que os pais com essa doença se separassem do filho imediatamente após o parto – querem, agora, ser indenizados pelo Estado brasileiro por danos emocionais e econômicos.

Cerca de 200 filhos e filhas de moradores dos antigos hospitais colônia, locais para onde eram levados os portadores de hanseníase entre as décadas de 1930 e 1980, foram recebidos hoje (19) pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O grupo apresentou um dossiê elaborado pelo Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseniase (Morhan).

O coordenador nacional do movimento, Artur Custódio Moreira, explicou que, assim como os pais foram vítimas de um tratamento desumano no passado, e hoje são indenizados por isso, os filhos dessas pessoas também sofreram consequências. Segundo ele, apesar de o Brasil ter acabado com o isolamento dos portadores de hanseníase em 1940, até 1976 os filhos dessas pessoas ainda eram separados dos pais.

“A nossa tese é: se tinha que ter acabado com o isolamento na década de 1940, quando surgiu a cura, e o Brasil continuou isolando até 1976, e se o Estado reconheceu que tem que indenizar essas pessoas, então as crianças também sofreram e merecem indenização. A gente quer que essas pessoas também sejam indenizadas”, disse Moreira à Agência Brasil.

O ministro Paulo Vannuchi afirmou que o governo pretende ouvir os filhos dos ex-moradores dos hospitais colônia e discutir internamente a viabilidade do pedido. Segundo o ministro, a possibilidade existe, mas é preciso analisar as questões legais.

“A possibilidade [de pagamento de indenização] sempre existe. Mas temos que ouvir agora, tentar discutir concretamente o número, as condições e fazer dentro do governo reuniões com diferentes áreas para ver as possibilidades jurídicas, legais, se por projeto de lei, medida provisória. Temos que ver a questão orçamentária e o calendário. Estamos abertos para ouvir”, afirmou Vannuchi.

De acordo com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, cerca de 3,5 mil pessoas já preencheram um cadastro declarando que são filhas de ex-moradores de hospitais colônia.

Leia mais sobre o tema aqui

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comentários
  1. MARCO disse:

    eu tambem sou filho de portador desta doença mas a o smeus pias conseguiram deste orfanato a tempo, mas fico trista em saber que estas crianças pássaram por tudo isso, e não conseguiram ver seus pais, elas tem todo o direito de serem indenizdas.

  2. carlos Ramalho disse:

    Eu fui uma dessas crianças, que tão logo nasceu, sequer tivi o olhar de minha mãe e sequer o peito pra amamentar. Fui levado para Pinheiros, onde eram levados recém nascidos no Hospital de Pirapitingui-Itu (“Leprosário”), depois de 3 a 4 anos fui levado para o Educandário Santa Terezinha, em Carapicuíba-SP, onde fiquei até os 12 anos. Assim foi com todas outras crianças. Infelizmente muitas delas nem sequer chegaram a conhecer seus pais. Tenho marcas inclausuradas em mim, decorrente da minha infância.
    Ao sair do Educandário não foi nada fácil entender a vida aqui fora. sofri muito. Nem mesmo sabia chamar minha genitora de MÃE. O que me ajudou a acietar a nova vida foi o laços fortes de amizade que mantive com as IRMÃS BENEDITINAS DA DIVINA PROVIDÊNCIA, irmãs que tomavam conta das crianças de PINHEIROS e do EDUCANDÁRIOS.
    Depois de 35 anos, pude rever meus co-irmãos. “Meu Deus, foi ao mesmo tempo alegria e tristeza”. “Puxa, quantas tristeza ao conhecer a vida de alguns com que tive oportunidade de conversar, depois que sairam do Educandário.
    Graças ao imensos esforços de TERESA DE OLIVEIRA, é que pude/pudemos nos encontrar. Mas ainda há muitos que não puderam comparecerem, por inúmeros motivos. Há muitas histórias, de cada adulto de hoje, todas de sofrimentos ímpares, mas que se cruzam numa só dor. A dor da SEPARAÇÃO PELO ISOLAMENTO COMPULSÓRIO.

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