Clínica Psicossocial

Publicado: 20/08/2010 em Sem categoria

A atenção terapêutica psicossocial originou-se a partir do processo de reforma das instituições de saúde mental no Brasil e geralmente é a metodologia de atenção nos serviços psicossociais públicos (CAPS, NAPS, SAP, etc). Este processo faz parte de um marco histórico, o movimento da luta anti-manicomial, com as leis de assistência à saúde mental (Lei 11024/94-PE e o substitutivo do projeto de lei 3657/89, aprovado em abril de 2001).

A atenção psicoterápica psicossocial é intrínsica ao processo de desconstrução manicomial e ao movimento de reforma psiquiátrica.

Os direitos humanos são ressaltados na reivindicação de maior investimento e apoio aos aparelhos substitutivos aos manicomios, nos quais o tratamento à saúde mental se dá de forma integrada, humanitária e sem impedimento de acesso à informação sobre o tratamento.

A atenção terapêutica psicossocial questiona a rigidez dos papéis terapêuticos e preconiza uma flexibilidade ligada às estratégias dialógicas de resposta à demanda de cuidados à saúde do sujeito (Viera Filho, 1998). O termo “conversação terapêutica” (Anderson & Goolishian,1998) ilustra bem esta dialogicidade que abarca e respeita os diferentes momentos com o indivíduo, a família, a rede comunitária.

A psicoterapia psicossocial é dialógica na relação terapêutica com a pessoa. Relação esta que pressupõe horizontalidade, reciprocidade, contratualidade e empatia.

Este processo possibilita ambas as comunicações: a pré-reflexiva e a reflexiva, o que contribui para o desenvolvimento de novos olhares sobre o mundo e sobre o estar no mundo em interação com este.

As variações de espaço/enquadre terapêutico (consultório, visita domiciliar, intervenção na rede social etc) são importantes para acompanhar os momentos e movimentos psíquicos das pessoas, inclusive do próprio terapeuta, constituindo-se em espaços de relações de campo.

A  prática dialógica da psicoterapia psicossocial legitima a consciencia da pessoa sobre si mesma, seu grau de autonomia e de capacidade analítico-existencial.

Por isso mesmo, esta prática possibilita variações no enquadre e mediações, em momentos conflituosos da relação terapêutica, ao contrário do modo manicomial no qual é compulsório o que se deve ser, o como se deve ser, a partir de um diagnóstico causal-organicista e tendo como recurso medidas de punição.

No modo psicossocial o terapeuta  recorre a um leque de variações no enquadre, que varia de terapeuta para terapeuta e de relação de campo para relação de campo, mantendo sempre o foco na relação dialógica e no respeito a alteridade.

Nesse espaço, o terapeuta mostra-se atento aos indicadores de sofrimento psíquico e no que esta relação com o outro lhe causa a si mesmo em termos emocionais.

Bibliografia

Anderson, H. & Goolishian, H.A. (1998). O Cliente é o Especialista? A Abordagem Terapêutica do Não-Saber. Em S. McNamee & K.J. Gergen (Orgs.), A Terapia como Construção Social (pp. 34-50). Porto Alegre: Artes Médicas.

Vieira Filho, Nilson Gomes e Morais, Sílvia Raquel Santos de. A prática da clínica psicossocial: Construindo o diálogo com o cliente dito “psicótico”. Psicol. cienc. prof., set. 2003, vol.23, no.3, p.34-41. ISSN 1414-9893.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s