Bairros em mananciais de São Bernardo são regularizados

Publicado: 20/06/2010 em Sem categoria
Tags:, , ,

NÁDIA MACHADO
do Rudge Ramos Jornal

18/06/2010 09:55

Calçadas com grama, árvores entre todas as casas, um bairro inteiro cercado pela floresta de Mata Atlântica e localizado as margens da represa Billings em São Bernardo, assim é um bairro ecológico. São lugares habitados em áreas de mananciais que foram regularizados pela prefeitura a partir de reivindicações dos moradores. “Nós queríamos continuar aqui e para continuar o Ministério Público falou que a gente tinha que achar um meio de compensar o que usamos para poder trazer infraestrutura”, explicou o Presidente da SAB (Sociedade Amigos de Bairro) do Jardim Pinheiro José Oliveira da Silva.

O Ministério Público sugeriu que todas as famílias doassem 350 m2 de compensação ambiental, para ressarcir a área que já tinha sido desmatada e impermeabilizou o solo com a construção das casas. Porém os moradores não aceitaram e propuseram construir uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), ambas as partes concordaram. As 816 famílias pagaram 20 prestações de R$28 para a construção da ETE, a prefeitura colaborou com a mão-de-obra e iniciou a pavimentação ecológica.

A doméstica e moradora Delice Santana Matias vive no Jardim Pinheiro há 13 anos. Ela contribuiu para a construção da ETE. “Colaborei sim, com certeza. Quando deram início as obras a gente já começou a pagar.” Delice mora em frente à Estação de Tratamento de Esgoto e reclama do mau cheiro que começou nos últimos anos. José de Oliveira contou que o projeto da Estação era para suportar 816 famílias, mas no local atualmente vivem cerca 1.200. “Hoje ele está saturado, porque a vazão dele é acima do permitido. Acaba não tratando legal, não dá tempo para a fermentação”, disse Oliveira.

O bairro Jardim do Pinheiro foi o primeiro a ser chamado de “ecológico”, mas ainda tem necessidade de algumas mudanças. A coleta de lixo, por exemplo, não é seletiva e o Presidente da SAB afirma que é por falta de interesse do poder público. “Nós pedimos eco pontos, nós sedemos áreas a eles, mas eles não se interessaram”. E completou: “Quer dizer, nós respeitamos muito o meio ambiente, mas eles não dão suporte pra gente ter este respeito total”.

A saída dos antigos habitantes está preocupando a Sociedade de Moradores. “Essas pessoas que veem não conhecem, não sabem, não procura informação, fica difícil para gente trabalhar”, disse Oliveira.  Ele afirmou que há necessidade de educação ambiental para os novos moradores do bairro.

Dois lados da moeda – Em 1997 com a criação do Plano Emergencial para o Estado de São Paulo todos os moradores ficaram com os terrenos “congelados”, as famílias foram impedidas de fazer obras na própria casa. Caso alguém desrespeitasse esta determinação teria que pagar uma multa.

O congelamento acabou com a aprovação da lei especifica que foi aprovada em julho do ano passado. A lei estadual também garante a moradia nessas áreas para pessoas que não têm condições financeiras para adquirir um terreno legal, desde que seja respeitado o meio ambiente. O presidente da Associação de Moradores Roque Araújo Neto  disse que comprou o lote por um valor equivalente a R$ 75 por metro quadrado, em um bairro legal o valor do metro quadrado sobe em média para R$ 600.

Apesar de tantas regras os moradores acabaram adquirindo os hábitos de proteção ambiental e sabem o que pode e o que é proibido. “Então as pessoas têm noção que não pode cortar árvore e se alguém escuta o “barulhinho”, os próprios moradores já ligam para polícia ambiental”, disse a moradora e auxiliar administrativa Priscila Repke. O bairro não tem gari, mas as ruas são limpas. “Nossa cultura é outra. Nós não jogamos lixos no chão. E você pode ver é tudo limpo aqui no nosso bairro”, falou Roque Araújo.

Os moradores tanto do Marco Pólo como do Jardim Pinheiro gostam da tranqüilidade e da segurança dos bairros e estão felizes com as conquistas que tiveram até agora. “Nós não temos problemas de enchente, não temos problemas de inseto, não temos poluição, é inteiramente favorável”, falou Oliveira. A próxima luta que eles irão enfrentar é pela escritura dos terrenos e das casas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s