FHC defende em palestra diálogo sobre uso de drogas

Publicado: 20/03/2010 em Reforma da Saúde Mental
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Fonte: UNIAD

No colégio Santa Cruz, ex-presidente volta a apoiar a descriminalização de entorpecentes
Discurso é que o tráfico de drogas ilícitas precisa ser reprimido, mas que o usuário deve sair do foco da polícia e da Justiça
Folha de São Paulo- HÉLIO SCHWARTSMAN – DA EQUIPE DE ARTICULISTAS
Em palestra anteontem no colégio Santa Cruz, em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender a descriminalização do uso de drogas. Falando a um público composto principalmente por pais de alunos mas também por estudantes, ele traçou um panorama global do combate às drogas ilícitas e concluiu ser necessária uma mudança de estratégia.
Segundo ele, a abordagem puramente repressiva com vistas à erradicação do tráfico fracassou e precisa ser substituída por outra, mais focada em ações educativas com a finalidade de reduzir o consumo.
Para FHC, não há receitas prontas. Cada país precisa debater abertamente o problema e achar seu caminho. Abordagens que funcionaram bem em um lugar podem não servir a outro, onde características culturais da população e a natureza do tráfico sejam diferentes.
FHC mencionou a despenalização adotada por Portugal como um caso de sucesso, que permitiu a redução do número de usuários de heroína, mas observou que ela não pode simplesmente ser transposta para a Colômbia ou o México, onde o problema não é apenas o usuário mas também a enorme violência associada aos cartéis de drogas. Nessas nações o narcotráfico penetrou nas estruturas de Estado e já se converte numa ameaça à democracia.
O ex-presidente diz que é preciso seguir reprimindo o tráfico, mas tirar o usuário da esfera da polícia e da Justiça. Com isso, sistemas de saúde ganham maior amplitude de ação, colhendo melhores resultados.
Para ele, o debate deve ser tão honesto quanto possível. Não se deve esconder nada do jovem, nem mesmo que usar droga dá prazer e por isso vicia. A tônica deve estar nas consequências: dá prazer, mas faz mal.
FHC vem nessa toada pelo menos desde 2008, quando, ao lado dos ex-presidentes César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México), além de intelectuais e acadêmicos, criou a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, com o objetivo de advogar por mudanças na estratégia de combate a entorpecentes.

Debate
O movimento não passou despercebido. Em seu último relatório anual, divulgado no mês passado, o arquiconservador Unodc (escritório da ONU contra drogas e crimes) lamenta que ex-altas autoridades latino-americanas se dediquem a defender a descriminalização.
FHC explica a mudança. Para ele, se há um assunto do qual políticos querem passar longe é a descriminalização das drogas. “Mas eu não preciso fugir de mais nada.” Perguntando-se retoricamente se essas mudanças um dia virão, disparou: “É utópico? Talvez. Mas sem utopia ninguém muda o mundo”. Quando estava na Presidência, FHC costumava falar em “utopia do possível”. Definitivamente, a condição de ex-presidente fez bem ao sociólogo.

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comentários
  1. Dorival disse:

    Interessante, mas penso que o usuário continuará comprando a droga e usando, não mais do traficante mas da “farmácia” ou no “supermercado” ou mesmo do “governo”. Para isto vai precisar de dinheiro, que ele próprio não produz, porque a dependência química não o deixa trabalhar ou estudar. De onde virá o dinhero para ele continuar comprando a sua droga ???

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