Meditação é adotada por neurocientistas e psicólogos

Publicado: 14/02/2010 em Reforma da Saúde Mental, saude mental
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Fonte: Saúde Alternativa

Confortavelmente sentado, cerre os olhos, respire fundo e esvazie a sua mente dospreconceitos em torno da meditação. Durante muito tempo considerada uma prática mística e esotérica, com todo o teor pejorativo que isso possa carregar, a meditação está passando por um processo de reciclagem.

Já aceita como um fenômeno físico, graças a recentes estudos do cérebro, ela tem sido usada por neurocientistas, psicólogos e outros especialistas como uma valiosa ferramenta, uma espécie de Lexotan espiritual, no tratamento de diversas doenças, segundo reportagem do jornal “O Globo” deste domingo.

– Quimicamente, a meditação parece estimular uma maior produção de certos neurotransmissores no cérebro, como a dopamina, responsável pelo sentimento de prazer e bem-estar, e a serotonina, ligada à sensação de felicidade – explica o psicólogo e mestre em neurociências da USP, Leonardo Mascaro, que acaba de lançar o livro “A arquitetura do eu”. – Isso tudo ajudaria a explicar as melhorias de humor registradas nos praticantes de meditação.

Em torno desse relativamente novo conceito, a meditação tem sido estudada por meio de técnicas científicas, como a análise das ondas cerebrais e procedimentos de diagnóstico por imagens, como o eletroencefalograma. O objetivo de especialistas como o médico psiquiatra Alcio Braz, mestre em antropologia social, é entender como a meditação atua no cérebro enquanto seus praticantes encontram-se imersos em profundos estágios de interiorização.

– A medicina ainda não explica todos os efeitos da meditação – diz Alcio Braz, que é chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital da Lagoa. – Sabe-se que parte desses efeitos tem a ver com modificações dos padrões de resposta a situações estressantes, com aumento da atividade de áreas de inibição da ansiedade e diminuição da secreção dos hormônios vinculados à reação aguda ao estresse.

Quem pratica meditação durante longos períodos induz mudanças no funcionamento do cérebro que melhoram o conhecimento e as emoções, indica estudo da Universidade de Wisconsin.

Os resultados da pesquisa –feita por uma equipe do laboratório W.M. Keck de Estudos Cerebrais do Centro Weizman, da Universidade de Wisconsin, em colaboração com o Mosteiro de Schechen, de Katmandu (Nepal)– vêm publicados na revista “Pnas” (www.pnas.org).

“Constatamos que os praticantes da meditação budista durante longos períodos induzem alterações neurais, isto é, na função cerebral, cujo impacto duradouro aumenta a cognição e as emoções”, afirmou Antoine Luz, que coordenou o estudo.

O termo “meditação” abrange numerosas tradições culturais e vários métodos de concentração mental, controle da respiração, visualizações ou, pelo contrário, não focalização da mente em objetos ou idéias.

O estudo

Para este trabalho, os investigadores acompanharam oito praticantes de meditação budista de, em média, 49 anos de idade. Eles compararam-nos a um grupo de controle de 10 estudantes voluntários com uma média de 21 anos de idade.

Os budistas receberam instrução mental nas tradições tibetanas Nyingmapa e Kagyupa de 10 mil a 50 mil horas ao longo de períodos de 15 a 40 anos.

“A duração da sua instrução foi calculada com base na sua prática diária e no tempo que passaram em retiros de meditação”, explicou Lutz.

Por outro lado, os indivíduos do grupo de controle não tinham experiência prévia emmeditação e receberam instrução durante apenas uma semana, antes da coleta de dados mediante eletrencefalogramas.

Como método de meditação, os cientistas escolheram “uma prática sem objeto determinado, durante a qual os participantes, tanto os budistas como os do grupo de controle, geraram um estado de ‘amabilidade e compaixão incondicional’”.

Esta prática, seguida por numerosas escolas budistas, da Índia à China, Japão, Coréia e sudeste asiático, não requer concentração sobre objetos, memórias ou imagens particulares, mas antes uma disposição para ajudar todos os seres vivos.

“Estudos anteriores já tinham demonstrado o papel geral da sincronia neural, em particular nas freqüências da banda gama [de 25 a 70 Hz], em processos mentais como a atenção, a memóriaativa, a aprendizagem ou a percepção consciente”, explicou Lutz.

Resultados

Os pesquisadores fizeram eletrencefalogramas dos participantes budistas e dos elementos do grupo de controle antes, durante e depois da meditação, e compararam os resultados dos dois grupos.

“Concluímos que os praticantes budistas induzem, de forma sustentada, oscilações de alta amplitude na banda gama e sincronia de fase”, segundo Lutz. “As maiores diferenças entre os dois grupos aumentam de forma aguda durante a meditação e mantêm-se depois dameditação”, acrescentou.

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