Como você se vê? por Alexandre Faisal

Publicado: 17/01/2010 em Reforma da Saúde Mental, saude mental
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Extraído na Íntegra do blog do Dr. Alexandre Faisal

Como você enxerga os outros? Da mesma maneira que você enxerga você mesmo? Antes de responder esta questão, honestamente, façamos um exercício: Você tem uma entrevista agendada para um emprego muito desejado e você chega atrasado. Na posição de entrevistada, é possível que você culpe o despertador que não tocou ou o trânsito que estava insuportável. Na posição de entrevistadora, é quase certo que você considere a candidata ou o candidato pouco responsável, para dizer o mínimo. O que está em jogo é a diferente percepção que temos de nós mesmos e dos outros, segundo um artigo publicado na “Science”.

Dois aspectos cruciais para compreender esta diferença são: primeiro a qualidade e quantidade de informação que a pessoa tem sobre si em comparação ao outro. Ela sabe mais sobre suas intenções e sensações. Logo ela sabe que ações, como por exemplo, chegar atrasada à entrevista, falharam em atingir seus objetivos por imprevistos, como por exemplo, o tráfego. O segundo, em decorrência do campo visual, o ser humano pode dedicar menos atenção para seus atos do que para os atos dos outros. Resumidamente, nos utilizamos de informações internas para avaliarmos nós mesmos e nossas atitudes, ao mesmo tempo que nos servirmos de informações externas, oriundas dos sentidos, em particular da visão, para compreender e julgar os outros. Resultado desta dinâmica: nós enxergamos a nós mesmos “introspectivamente”, valorizando nossos sentimentos, pensamentos e intenções, mas nós enxergamos os outros, de maneira oposta, de dentro para fora, ou seja, realçando comportamentos observáveis.

Conclusão: nós julgamos os outros, baseado em nossos sentimentos e pensamentos. E é claro que isto pode produzir conflito entre as pessoas. Conhecer estas diferenças pode ser, segundo o autor, útil no relacionamento entre as pessoas. E ainda, segundo ele, a explicação pode estar no cérebro, onde pesquisas de neurociência tentam revelar os segredos do nosso funcionamento mental. Determinadas áreas cerebrais são ativadas neste processo de percepção, seja ela auto percepção ou a percepção de terceiros. Bom, se até aí tudo caminha bem, a surpresa final é que é possível que nós enxerguemos nós mesmos, numa situação do passado ou do futuro como sendo uma outra pessoa, um terceiro.  Isto porque o acessos aos nossos conteúdos internos, talvez pela distância temporal, fique mais difícil, senão impossíveis. E sem eles, nós não somos nós. Bem, nesta altura, eu já me contento, se você que me escuta, não me julgar maluco.  (Pronin.Science, 2009)

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comentários
  1. Muito legal o texto… Me fez pensar melhor antes de PENSAR no outro…

    “Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você” RENATO RUSSO

    Abraços!!!

  2. Nanda Botelho disse:

    Acho que o autor está repaginando um antigo conceito já repaginado por Freud e que até Jesus Cristo notou! ( Deixa de olhar o argueiro do outro e olha a trave que está no teu!)

    A tal da projeção é um ótimo ponto de referência para o auto conhecimento!

    Bjão!

  3. Este texto é de um colega de profissão muito querido, gostei tanto do seu blog e da sensibilidade com que exerce a medicina que o convidei (meio compulsoriamente, rs) a ser parceiro neste nosso blog. Tenho certeza que esta parceria trará muitos ganhos a nossos leitores e leitoras.

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