Farmácia Musical

Publicado: 03/01/2010 em Reforma da Saúde Mental
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Extraído na íntegra de Portal Musicoterapia Brasileira

O músico Andreas Kisser, guitarrista do grupo Sepultura, em sua coluna no portal da Yahoo!Brasil, comenta sobre a crescente utilização da música como medicina a partir de matérias publicadas na Folha de São Paulo. Confira o texto integral.

Eu tenho lido vários artigos falando sobre a utilização da música como remédio para o tratamento de algumas doenças. Alguns médicos receitam doses controladas de audição musical com hora marcada – como uma pílula ou um xarope. Pesquisas apontam que o processo funciona e tem mostrado que opções mais saudáveis, sem drogas, podem ser usadas na procura da cura de uma doença.

Hospitais que usam o método têm mostrado resultados animadores e surpreendentes, como o caso em que crianças com câncer ouviram por meia hora a “Primavera”, do compositor italiano Vivaldi, e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor, diminuindo assim o uso de sedativos e de remédios.

Na UTI de outro hospital, foram instaladas caixas de som que tocavam música erudita, sons da natureza e temas calmos durante o dia. Depois de um ano, o consumo de sedativos e tranqulizantes caiu 40%, uma porcentagem animadora*.

A música tem mostrado excelentes resultados em doenças típicas da “civilização”, como a ansiedade, depressão, insônia e também hipertenção arterial e arritmia cardíaca. Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, na Áustria, é considerada a primeira farmacologista musical. Ela pesquisou diferentes estilos musicais e encontrou as partes “ativas” que funcionam para o tratamento de doenças. Os pacientes que participam da pesquisa de Brandes recebem um tocador de MP3 com as músicas que devem ser escutadas nos horários certos. É como tomar antibióticos, em que o “timing” é fundamental para o sucesso do tratamento.

A própria Vera Brandes descobriu o poder da música depois de um acidente de carro quase fatal. Ela quebrou duas vértebras próximas da medula espinhal e os médicos disseram que ela teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas. Brandes estava dividindo o quarto com um monge budista que recebia visitas diárias dos colegas, também monges, que ficavam entoando cânticos. Depois de apenas 15 dias, uma ressonância mostrou que a espinha de Vera Brandes estava curada. Os médicos ficaram espantados. Depois da alta, a pesquisadora começou a estudar o poder de cura através da música. A doutora Brandes tem um site para divulgar seus métodos, pesquisas e resultados. (www.sanoson.at) **

É realmente um assunto fantástico para reflexão. Já se ouviu falar bastante do efeito da música em plantas, seres vivos e sensíveis que reagem às vibrações que uma canção emana, mas o efeito como medicamento nos seres humanos é uma coisa que começa a ser levada mais sério.

No estúdio onde costumo ensaiar, vejo regularmente senhores que trabalham em outras profissionais mais “normais”, como advogados, médicos, dentistas, vendedores, etc., e que se juntam para tocar durante três ou quatro horas, uma vez por semana. Isso serve como uma terapia. Eles tocam o que gostam, independentemente do estilo musical, estão se divertindo de uma maneira saudável, aliviando a tensão do dia a dia sem pílulas ou qualquer outro tipo de droga. A música é muito mais poderosa e esclarecedora do que se imagina, é muito mais do que diversão.

Fontes usadas nesta coluna:

*Jornal Folha de S.Paulo – Caderno Equilíbrio
**Jornal Folha de S.Paulo – Caderno The New York Times

Andreas Kisser, casado, três filhos, músico, guitarrista do grupo Sepultura. Espera debater e, principalmente instigar novas idéias e caminhos usando a música como inspiração para a busca de entendimento e tolerância.

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comentários
  1. Joanan Alves disse:

    a música como terapia,é uma ajuda e muito na qualidade da saúde, principalmente de usuários dos serviços de psiquiatria como p.ex. nos (CAPSs), pois nas horas em que se passa ouvindo musicas variadas, como está escrito: é um comprimido nas horas certas!!,que isto possa ser utilizado em todos os lugares de recuperação da saúde principalmente mental,pois a música é o sentimento da alma e ela a musica, como foi dito.: é um calmante, se bem usada de forma terapêutica, e controlada pois, há músicas que agitam e nada trazem de bem estar, como as eletrônicas aonde se aumenta a adrenalina e como não há uma harmonia e sim ritmo agita o paciente que pensa que está bem mas esta quase entrando em surto, mas as músicas como MPB e Bossa nova, Românticas, Poéticas, além de serem sábiamente escritas, ensinam e muito pois como a música entra na alma e faz com que ela fique em paz, além de fazer o ouvinte viajar e assim viver uma vida mais emocionante e realmente sã,acalma e muito;
    “digamos” não mais para o tratamento robotizado, mas, sim para o, tratamento versátil e de vanguarda!!-tratamento entre outros musical e suas vertentes p.ex.:uma peça teatral musical, onde o paciente interage através da fala e da música aonde deixa-o confortavel e em calma, assim ele passa horas e horas satisfeitos com o excelete resultado adquirido pelo tratamento eficaz. como aquela música de Chico Buarque: é gente humilde que vontade de chorar…quem é gente humilde? é!!!, nós as vezes não nos apercebemos que somos gente humilde.

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